quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Castanha-da-Amazônia movimenta mais de R$ 2 bilhões por ano

A Castanha da Amazônia possui um potencial de lucratividade significativo em sete estados produtores, conforme o observatório.
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Um dos produtos florestais amazônicos mais conhecidos em todo o mundo, a Castanha da Amazônia movimenta mais de R$ 2 bilhões por ano. É o que aponta a pesquisa inédita “A Castanha-da-Amazônia: Aspectos Econômicos e Mercadológicos da Cadeia de Valor”, publicada pelo Observatório Castanha-da-Amazônia (OCA).

De acordo com a pesquisa, a Castanha da Amazônia possui um potencial de lucratividade significativo nos sete estados produtores.

No entanto, a atual estrutura da cadeia de valor impede que esse potencial se converta em remuneração justa para os mais de 60 mil produtores distribuídos pela região.

O segmento produtivo da cadeia representa menos de 5% do total de atividades, e em algumas situações, os produtores não obtêm margem de lucro. Por outro lado, estima-se que os elos subsequentes da cadeia apresentem margens de lucro variando de 12% a 30%.

Como funciona a cadeia de valor da castanha-da-Amazônia?

A pesquisa inédita entrevistou diversos atores da cadeia produtiva da castanha, incluindo produtores, associações, cooperativas, usinas comunitárias e privadas, empresas e especialistas acadêmicos e do mercado multinacional.

O objetivo foi compreender melhor a complexidade dessa cadeia, especialmente sua relevância para povos indígenas e comunidades tradicionais que produzem castanhas.

A cadeia da castanha é complexa e apresenta variações em seu funcionamento devido ao grande número de intermediários e canais de distribuição.

A logística de escoamento é complicada e as safras são imprevisíveis, além da heterogeneidade nas organizações comunitárias e demanda dos compradores.

O estudo busca contribuir para o debate sobre a valorização dos diferentes elos e atores da cadeia, especialmente os produtores extrativistas, responsáveis por gerar valores ambientais, sociais e culturais, mas que não são devidamente reconhecidos e remunerados.

Meio ambiente protegido

A castanha-da-amazônia se destaca das outras castanhas, como a de caju, nozes e macadâmia, por ser proveniente principalmente do agroextrativismo realizado por povos indígenas e comunidades tradicionais.

Isso faz da castanheira e do seu fruto elementos essenciais para a conservação da Amazônia e para os modos de vida dessas comunidades.

O estudo revela que, apesar dos atributos socioambientais da castanha, eles têm pouco peso na decisão de compra do setor industrial e comercial, onde o preço é o principal fator.

Isso indica a necessidade de um comércio mais justo, com consumidores e compradores dispostos a pagar mais pelo valor “invisível” dos produtos da sociobiodiversidade.

No entanto, essa solução não é suficiente para resolver todos os problemas estruturais da cadeia.

O estudo completo está disponível para download na Biblioteca do Observatório.

Com informações da assessoria de comunicação da OCA

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