Um dos produtos florestais amazônicos mais conhecidos em todo o mundo, a Castanha da Amazônia movimenta mais de R$ 2 bilhões por ano. É o que aponta a pesquisa inédita “A Castanha-da-Amazônia: Aspectos Econômicos e Mercadológicos da Cadeia de Valor”, publicada pelo Observatório Castanha-da-Amazônia (OCA).
De acordo com a pesquisa, a Castanha da Amazônia possui um potencial de lucratividade significativo nos sete estados produtores.
No entanto, a atual estrutura da cadeia de valor impede que esse potencial se converta em remuneração justa para os mais de 60 mil produtores distribuídos pela região.
O segmento produtivo da cadeia representa menos de 5% do total de atividades, e em algumas situações, os produtores não obtêm margem de lucro. Por outro lado, estima-se que os elos subsequentes da cadeia apresentem margens de lucro variando de 12% a 30%.
Como funciona a cadeia de valor da castanha-da-Amazônia?
A pesquisa inédita entrevistou diversos atores da cadeia produtiva da castanha, incluindo produtores, associações, cooperativas, usinas comunitárias e privadas, empresas e especialistas acadêmicos e do mercado multinacional.
O objetivo foi compreender melhor a complexidade dessa cadeia, especialmente sua relevância para povos indígenas e comunidades tradicionais que produzem castanhas.
A cadeia da castanha é complexa e apresenta variações em seu funcionamento devido ao grande número de intermediários e canais de distribuição.
A logística de escoamento é complicada e as safras são imprevisíveis, além da heterogeneidade nas organizações comunitárias e demanda dos compradores.
O estudo busca contribuir para o debate sobre a valorização dos diferentes elos e atores da cadeia, especialmente os produtores extrativistas, responsáveis por gerar valores ambientais, sociais e culturais, mas que não são devidamente reconhecidos e remunerados.
Meio ambiente protegido
A castanha-da-amazônia se destaca das outras castanhas, como a de caju, nozes e macadâmia, por ser proveniente principalmente do agroextrativismo realizado por povos indígenas e comunidades tradicionais.
Isso faz da castanheira e do seu fruto elementos essenciais para a conservação da Amazônia e para os modos de vida dessas comunidades.
O estudo revela que, apesar dos atributos socioambientais da castanha, eles têm pouco peso na decisão de compra do setor industrial e comercial, onde o preço é o principal fator.
Isso indica a necessidade de um comércio mais justo, com consumidores e compradores dispostos a pagar mais pelo valor “invisível” dos produtos da sociobiodiversidade.
No entanto, essa solução não é suficiente para resolver todos os problemas estruturais da cadeia.
O estudo completo está disponível para download na Biblioteca do Observatório.
Com informações da assessoria de comunicação da OCA
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