O Brasil tem hoje menos mulheres no Parlamento nacional do que países como Arábia Saudita, Egito e Iraque — todos conhecidos por legislações mais conservadoras em relação às mulheres.
Segundo ranking da União Interparlamentar (UIP) com dados da ONU Mulheres, o país ocupa a 133ª posição entre 189 nações, com apenas 18,1% de deputadas na Câmara, o equivalente a 93 parlamentares.
A análise considerou exclusivamente as câmaras baixas — como a Câmara dos Deputados no caso do Brasil — a fim de incluir também os países com parlamentos unicamerais, que não possuem uma casa alta, como o Senado.
O país fica atrás da média mundial de participação feminina nas câmaras baixas (27,2%) e bem abaixo da média das Américas, que é 35,4%.
Apesar do crescimento no número absoluto de deputadas na última década, a posição do Brasil no ranking piorou.
Em 2015, com 46 deputadas, o país ocupava o 117º lugar. O avanço de outros países, que implementaram políticas mais eficazes de incentivo à participação feminina, explica o recuo brasileiro.
Embora exista uma cota legal de 30% de candidaturas femininas desde 1997, sua aplicação tem sido claramente ineficaz. Faltam mecanismos como financiamento proporcional e listas com alternância de gênero.
Outro relatório anterior da ONU Mulheres mostrou que as brasileiras enfrentam grandes dificuldades para acessar recursos de campanha.
A lei que obriga partidos a destinar 30% do fundo eleitoral para mulheres é frequentemente desrespeitada, com verbas mal aplicadas ou desviadas. Esse cenário reduz a visibilidade e competitividade das candidaturas femininas.
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