quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Bolsonaro insiste no uso da cloroquina e diz que erra por 'ser humano'

Presidente da República ainda reafirmou o discurso contra as medidas de isolamento social ao admitir que mesmo no início da pandemia da Covid-19 preferia sair às ruas.
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O presidente da República Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a defender o uso da hidroxicloroquina para o tratamento da Covid-19. Apesar do medicamento não ter nenhuma comprovação científica para combater o vírus SARS-CoV-2, Bolsonaro insiste no discurso de que foi com a cloroquina e outros remédios sem eficácia contra a doença que o curaram quando foi infectado pelo coronavírus.

As declarações do presidente foram na tarde desta sexta-feira (11), durante cerimônia para a entrega de 434 casas a famílias de baixa renda do município capixaba de São Mateus (ES). Bolsonaro também criticou novamente métodos como distanciamento/isolamento social para reduzir o risco de contaminação ao dizer ter optado desde o início da pandemia por ir às ruas ao contrário de “ficar no Palácio da Alvorada”.

“Muitas vezes dói ouvir certas palavras, mas isso nos conforta porque somos humanos e erramos. Quantas vezes eu errei, mas jamais errei por omissão. Desde o início da pandemia, estive no meio de vocês, nas comunidades mais pobres de Brasília. Criticado por isso, poderia ter ficado no Palácio da Alvorada com todo o conforto do mundo, mas sempre preferi ficar ao lado do povo, sabendo que tinha um vírus mortal. Fui acometido do vírus e tomei a hidroxicloroquina”, disse Bolsonaro.

Durante a cerimônia, Bolsonaro declarou ainda que talvez tenha sido o único chefe de Estado a procurar um remédio contra o coronavírus e que ouviu pessoas com conhecimento científico que indicaram o medicamento para o tratamento da Covid-19.

“Talvez eu tenha sido o único chefe de Estado que procurou o remédio para esse mal, tinha que aparecer alguma coisa. Ouvi pessoas que tinham conhecimento sobre o caso, mas quando eu falei que aquilo [a cloroquina] poderia ser bom, a oposição abriu uma guerra contra a gente”, afirmou. “Não vou esmorecer. Não sou cabeça dura, sou perseverante; lutamos para salvar vidas, enfrentamos os mais variados e cruéis desafios”, acrescentou.

Sem eficácia

Estudos científicos apontam que a cloroquina e hidroxicloroquina não possuem eficácia comprovada no tratamento de Covid-19. A posição do presidente também é contrária à do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga que disse, nessa semana, durante depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia, entender que esse tipo de medicamento não é eficaz para o coronavírus.

Bolsonaro estava acompanhado dos ministros do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, e do Gabinete de Segurança Institucional, General Heleno, além do presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães. Durante seu discurso, o chefe do Executivo disse ainda que não fechou comércios durante a pandemia e que jamais decretaria medidas de isolamento social, como a restrição de circulação nas cidades.

“Eu não fechei nenhum comércio, eu não destruí emprego e não tirei o ganha-pão de ninguém. Jamais decretaria toque de recolher”, disse.

“Tenho as Forças Armadas ao meu lado, sou o chefe supremo delas. Jamais elas irão às ruas para mantê-los em casa. Poderão, sim, um dia ir às ruas para garantir a sua liberdade e o seu bem maior, que é aquilo previsto em nossa Constituição”, afirmou.

Fonte: Agência Brasil

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