domingo, 4 de outubro de 2026

Bancada indígena no Congresso cresce e terá 7 deputados

Nunca o Legislativo teve mais de uma cadeira ocupada por um indígena ao mesmo tempo. O primeiro a cumprir um mandato foi Mário Juruna, eleito em 1982.
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(Foto: Adi Spezia /Cimi)

Após uma mobilização inédita nas eleições de 2022, os indígenas aumentaram de 1 para 7 o número de parlamentares no Congresso. Entre os eleitos há candidaturas impulsionadas por entidades como Apib (Articulação dos Povos Indígenas) e nomes conservadores ligados ao presidente Jair Bolsonaro (PL).

Nunca o Legislativo teve mais de uma cadeira ocupada por um indígena ao mesmo tempo.

O primeiro a cumprir um mandato foi Mário Juruna, eleito em 1982.

Por outro lado, a deputada Joenia Wapichana (Rede-RR), primeira mulher indígena a se eleger para o Congresso e única representante na legislatura atual, recebeu 11 mil votos e não conseguiu se reeleger.

Aumento de candidaturas

Em todo o país, as eleições registraram aumento no número de candidaturas autodeclaradas de indígenas em relação ao pleito de 2018.

De acordo com o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), elas passaram de 133 para 186, crescimento de 40%.

Em 2014, eram 85. As mulheres indígenas, que compõem a maioria entre os eleitos, tiveram crescimento ainda maior no número de candidaturas: de 49 em 2018 para 82 neste ano.

Em 2018, considerando todos os cargos em disputa, só duas pessoas autodeclaradas indígenas foram eleitas: Wapichana e Mourão.

Em 2022, o número foi a nove: os sete eleitos para o Congresso e mais dois deputados estaduais. Jerônimo Rodrigues (PT) também segue na disputa ao Governo da Bahia.

Apesar da autodeclaração, algumas dessas candidaturas pouco ou nada trataram da questão indígena durante a campanha.

Acampamento Terra Livre

Neste ano, após anos de resistência em entrar na política institucional, organizações indígenas impulsionaram candidaturas para tentar aumentar a representatividade no Congresso.

Em abril, o Acampamento Terra Livre, tradicional encontro indígena em Brasília, teve pela primeira vez um debate sobre candidaturas. O evento foi considerado um marco.

O entendimento dos indígenas era que, sob Bolsonaro, fez-se necessário ampliar a resistência para além da atuação enquanto movimento social.

Outros candidatos ligados à pauta ambientalista foram eleitos neste ano, como a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (Rede-SP).

FolhaPress

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