terça-feira, 22 de setembro de 2026

ANS quer mamografia digital sem restrição de idade nos planos

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A Agência Nacional de Saúde Suplementar defende que planos de saúde sejam obrigados a cobrir mamografia digital sem restrição de idade ou gênero sempre que houver indicação médica. A proposta foi apresentada em consulta pública aberta nesta semana e pode alterar a cobertura atualmente garantida aos beneficiários da saúde suplementar.

Hoje, a cobertura da mamografia digital é restrita a mulheres de 40 a 69 anos, com pedido do médico assistente. A proposta da ANS amplia o acesso para pessoas de qualquer idade e gênero, desde que exista indicação médica, nos mesmos moldes da mamografia convencional.

A mamografia digital é considerada uma versão mais avançada do exame convencional e tem papel relevante na detecção precoce do câncer de mama. Entre as vantagens apontadas estão menor exposição à radiação, menor tempo de compressão da mama e armazenamento digital das imagens, o que facilita acompanhamento clínico e análise por diferentes especialistas.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer, o Brasil registra estimativa de cerca de 73.610 novos casos de câncer de mama por ano. O diagnóstico precoce aumenta as chances de tratamento e pode reduzir a necessidade de procedimentos mais invasivos.

A proposta foi aprovada pela diretoria colegiada da ANS e será submetida à participação social antes da decisão final. As contribuições à Consulta Pública 173 poderão ser enviadas até 11 de julho.

A mudança é relevante porque corrige uma limitação que pode atrasar diagnósticos fora da faixa etária atualmente prevista. Embora políticas de rastreamento populacional usem recortes por idade, a cobertura assistencial precisa considerar casos individualizados, histórico familiar, sintomas, risco elevado e avaliação médica.

O debate também toca em inclusão. Ao retirar a restrição de gênero, a ANS reconhece que pessoas trans, não binárias e outros grupos podem necessitar do exame conforme indicação clínica. A saúde suplementar precisa acompanhar mudanças tecnológicas e sociais sem criar barreiras administrativas desnecessárias.

A consulta pública deve mobilizar pacientes, entidades médicas, operadoras e especialistas. O ponto crítico será equilibrar custo assistencial e acesso oportuno. Em saúde, negar ou atrasar exame indicado pode aumentar despesas futuras e, principalmente, comprometer vidas.

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