Segundo a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP), a taxa de mortalidade por AIDS caiu cerca de 5,5% no Amazonas quando comparada com o ano anterior, que era de 7,7%. Este ano, 236 pessoas perderam a vida por causa da doença.
Segundo a gerente de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis da FVS, Jair Pinheiro, fatores como a reorganização dos serviços de saúde após a pandemia e ações mais efetivas voltadas para a área de IST´s, contribuiu para a baixa mortalidade.
“São diversos fatores que influenciam nessa taxa de mortalidade, como a maior implementação de diversas ações para reorganização dos serviços de saúde após a pandemia que interrompeu a tendência de mortes por AIDS, que vinham se mantendo desde 2017. Essas ações integram um conjunto de medidas denominadas Estratégias de Prevenção Combinadas ao HIV/AIDS.”
Pinheiro disse, ainda, que essas estratégias têm o objetivo de reduzir novas infecções e melhorar a qualidade de atenção às pessoas que já vivem com HIV/AIDS.
“Além da ampliação da oferta de testes rápidos, mais de cinco mil testes são realizados anualmente na capital e no interior; aumento anual da disponibilização da Profilaxia pôs exposição, a PEP, que em 2022 chegou a 2915; aumento da disponibilização da Profilaxia pré-disposição, PREP, que desde 2018, 2824 pessoas iniciaram o tratamento e até 2023, 1243 permanecem aderidas ao tratamento, que está disponível em dez serviços de saúde sendo sete na capital e três no interior. A expansão dessa estratégia para todos os municípios será prioridade da FVS em conjunto com a SEAS-AM em 2024”, completou.
O painel também mostra que homens, na faixa etária de 20 a 39 anos, e pardos são os que mais morrem pela doença, com 31,8% e 35%, respectivamente. Já entre as mulheres, o maior percentual de mortes ocorre na faixa etária de 40 a 59 anos, com 13,6%. Em relação a forma de transmissão da doença, a maior parte dos casos aconteceu através de drogas injetáveis, seguido por acidente com material biológico.
Segundo Pinheiro, o fato de homens jovens serem os mais acometidos pela doença do que as mulheres é um reflexo de fatores culturais. “Essa é uma questão que pode estar ligada aos fatores culturais relacionados à saúde, onde se observa que as mulheres tendem a buscar mais os serviços de saúde e também são as que mais aderem ao tratamento.”
“É importante destacar que a infecção do HIV ainda é um problema de saúde pública no Amazonas, então é preciso que as pessoas busquem mais informações sobre todas as estratégias disponíveis para prevenir a infecção, que não se resume apenas ao uso de preservativos. Somente com o devido conhecimento e utilização dele é que iremos, ao longo dos anos, reduzir novas infecções, especialmente, na detecção tardia delas, o que ainda se observa no estado e que contribui para uma mortalidade elevada”, finalizou Pinheiro.
Os dados também mostram que março foi o mês que mais registrou casos, com 219 registros, e novembro o que menos registrou, com 66 casos. Os municípios que mais registraram óbitos pela doença, em 2023, foram: Manaus (194); Maués (6); Iranduba (4) e Presidente Figueiredo (3).
O Painel Epidemiológico HIV/AIDS no estado do Amazonas, lançado pela Fundação no dia 1º de dezembro, está disponível para consulta através do link: Painel Epidemiológico HIV/AIDS.
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