O comitê eleitoral do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entra na última semana de campanha com a expectativa de que haja uma enxurrada de ataques por parte do adversário Jair Bolsonaro (PL) e com a missão de evitar o aumento do índice de abstenção nas urnas.
A orientação – traçada em reuniões da campanha – é manter vigilância constante nas redes sociais para rebater a disseminação de notícias falsas; e atuar nas ruas, até mesmo de porta em porta, e em locais próximos a igrejas, para ressaltar a importância do comparecimento dos eleitores no dia 30 de outubro.
Um dos panfletos que serão distribuídos tem uma passagem bíblica e termina com a seguinte frase: “Minha fé é em Cristo. Meu voto é em Lula”.
Nesta última semana, a campanha continuará com o foco nos estados do Sudeste e não está descartada uma nova ida de Lula a Minas Gerais. Recém-incorporada à campanha, a senadora Simone Tebet (MDB) deverá assumir agenda no estado.
Abstenções preocupam
Lula terminou o primeiro turno com 48,43% dos votos válidos, ante 43,20% de Bolsonaro.
Faltou 1,8 milhões de votos para que o petista conseguisse liquidar a fatura no último dia 2 de outubro.
No primeiro turno, 20,9% dos eleitores faltaram à votação, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Aliados de Lula dizem que tradicionalmente o número de faltantes aumenta no segundo turno, o que gera preocupação.
A ideia é investir em regiões onde Lula tem grande potencial de crescimento, mas houve alto nível de abstenção no primeiro turno. Isso inclui o interior de Minas, além de Norte e Nordeste do Brasil.
A presidente do PT, Gleisi Hoffmann (PT-PR), diz que haverá atuação para estancar as abstenções.
“[Vamos evitar abstenção] Chamando as pessoas para ir votar, isso é muito importante, principalmente nos lugares onde a abstenção foi maior”, diz.
O ex-governador Flávio Dino (PSB-MA), eleito senador, conta que há mais de 100 atos programados para a semana só no Maranhão, onde Lula teve alto índice de votos.
“A diferença está boa e vamos ganhar. Não é uma lavada, mas essas eleições com a extrema-direita no mundo não têm sido lavadas”, avalia Dino.
O ex-governador do Piauí e senador eleito Wellington Dias, um dos coordenadores da campanha de Lula, concorda que a atenção com a abstenção é um dos pontos principais da reta final.
“Em tese temos bem acima dos 50% mais um voto para vencer. Precisamos do esforço para que eleitores e eleitoras possam comparecer e votar”, afirma.
Texto: Cátia Seabra, Julia Chaib e Victoria Azevedo (FolhaPress)
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