A abertura de uma nova Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) pela Assembleia Legislativa do Amazonas, agora com o nome de CPI da Pandemia, está sendo considerada um “oportunismo eleitoral”.
Por que deputados querem instalar uma nova Comissão de Inquérito, já que a CPI realizada no ano passado não gerou resultados práticos e sequer conseguiu quórum para ser prorrogada? Para investigar novamente o que já teria sido investigado? Seria oportunismo eleitoral?
Há quem diga que, com a proximidade das eleições, ao pressionar o Governo do Estado com uma nova investigação, a CPI poderia vir a ser utilizada por alguns como meio para conseguir benefícios no pleito.
Imagem desgastada x oportunismo
Para o cientista político Carlos Santiago, a imagem da Aleam passa por um desgaste e, agora, os deputados correm para reduzir o prejuízo e limpar o nome da Casa diante da sociedade. Para ele, isso será um fator importante a ser considerado nas próximas eleições.
“Até o calado presidente da Aleam assinou. É importante que essa CPI da Pandemia aconteça e que os resultados sejam esclarecedores. Assim, o povo saberá dos responsáveis pelas mortes por Covid-19 no Amazonas e os resultados podem ainda causar enormes impactos nas eleições de 2022”, destaca Santiago.
“Uma CPI, em ano pré-eleitoral, evidentemente enfraquece aquele grupo político que está no poder”, reforça o também cientista político Tiago Jacaúna. Segundo ele, tendo como pano de fundo um ano pré-eleitoral, além da possibilidade de desgastar o governo de Jair Bolsonaro (sem partido), pode impulsionar figuras políticos tradicionais do Estado como os senadores Eduardo Braga (MDB) e Omar Aziz (PSD) que, evidentemente, segundo ele, têm relação com políticos que estão no cenário local dentro da Assembleia Legislativa.
CPI precisa de 8 assinaturas
Na manhã desta segunda feira (05), o deputado Fausto Júnior (MDB) se juntou ao hall de signatários do pedido para instauração da nova CPI. Na quinta-feira passada (1º), o presidente da Aleam, Roberto Cidade (PV) e o deputado Ricardo Nicolau (PSD) também assinaram o documento.
São necessários oito deputados favoráveis para a instalação da CPI. Falta um. A principal aposta é o deputado Serafim Corrêa (PSB), que foi um dos membros da primeira comissão de inquérito aberta no ano passado. Com uma postura mais moderada, Serafim deve avaliar a real necessidade da abertura de um novo processo.
Durante o seu discurso, Cidade deixou claro que a sua motivação principal era tentar reparar a imagem de descrédito do Legislativo junto à população após a Casa ser desmoralizada na CPI do Senado, devido aos resultados fracos dos meses de apuração.
O autor da proposta, Dermilson Chagas (Podemos), justifica a necessidade de apuração dos casos envolvendo a segunda onda da pandemia da Covid-19, em janeiro. O período é marcado pela crise do oxigênio em Manaus, fato minado por incongruências nas versões dadas pelo governo do Estado e a União.
Outro possível nome, é do vice-presidente da Casa, Carlinhos Bessa (PV), que pode seguir as diretrizes de Roberto Cidade para ‘limpar’ o nome do legislativo estadual junto a opinião pública. As demais assinaturas pela abertura da CPI são, além de Dermilson, dos deputados Wilker Barreto (Podemos), Delegado Péricles (PSL) e da deputada Nejmi Aziz (PSD).
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