Começa na quinta-feira (3) e vai até 1º de abril o prazo para deputados federais e estaduais mudarem de partido sem correr o risco de perder o mandato. Mesmo antes da chamada janela partidária, 39 deputados já deixaram a legenda pela qual foram eleitos em 2018. Por enquanto, o número é bem menor em comparação com a legislatura passada, quando 117 deputados mudaram de sigla no mesmo intervalo de tempo (entre 1º de fevereiro de 2015 e 24 de fevereiro de 2018).
Localmente, já há uma intensa movimentação para que parlamentares tanto vereadores quanto deputados estaduais e federais mudem de sigla. Como é o caso dos vereadores Amom Mandel (sem partido) e Marcelo Serafim (PSB).
Amom deixou o Podemos, até então comandado pelo ex-governador Amazonino Mendes e atualmente negocia nos bastidores a ida para um partido que não orbite na zona de influência de Amazonino. Há rumores já desmentidos por Amom, que tenta passar uma imagem de político independente, de que ele se reuniu com o governador Wilson (PSC) para pedir uma indicação partidária de Wilson.
No caso de Marcelo Serafim, o tradicional membro do PSB, deverá sair do partido comandado pelo pai dele, deputado estadual Serafim Corrêa, para migrar para o partido do prefeito David Almeida (Avante). Marcelo tem vontade de comandar a Câmara Municipal no próximo biênio e a mudança partidária selaria o compromisso de David de apoiá-lo para o cargo de presidente.
Há também o caso dos deputados estaduais Wilker Barreto e Dermilson Chagas que pertenciam ao Podemos, mas que após um movimento do governador Wilson Lima para controlar a sigla na Assembleia Legislativa, colocando o deputado governista Abdala Fraxe, os dois abandonaram o partido.
Por serem aliados de Amazonino Mendes, virtual candidato ao governo do Amazonas, que ocupa a dianteira nas pesquisas de intenção de voto, a escolha de partido dos dois só deverá ser definida após Amazonino decidir o seu próximo partido.
O cenário eleitoral está entre os principais motivos para a troca de partido. O vice-presidente da Câmara dos Deputados, Marcelo Ramos foi um dos primeiros nome locais a trocar de partido. Ferrenho crítico do presidente Jair Bolsonaro (PL), Marcelo Ramos deixou o PL com a filiação de Bolsonaro.
Após um mês e meio, ele se filiou ao PSD, comandado no Amazonas, pelo senador Omar Aziz.
A fusão ou incorporação de partidos é outra motivação para mudança de legenda, especialmente fora do período da janela partidária. Em 2019, quando a cláusula de barreira passou a vigorar, houve a incorporação do Partido Republicano Progressista (PRP) ao Patriota; e do Partido Pátria Livre (PPL) ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Três deputados do PRP optaram por seguir para outras legendas: PSL, PL e PSD.
No ano passado, o TSE aprovou o pedido de incorporação do Partido Humanista da Solidariedade (PHS) ao Podemos (Pode). No entanto, seis deputados do PHS foram para outras legendas: três para o PL, dois para o PP e um para o DEM.
A expectativa é que as trocas durante a janela partidária alterem a composição das bancadas na Câmara dos Deputados. O partido União Brasil, resultante da fusão do PSL com o DEM, conta atualmente com a maior bancada, de 81 integrantes. Antes da fusão, o PSL tinha a maior bancada, com 55 deputados. O segundo lugar permanece com o PT, com 53 deputados.
Nas eleições de 2018, 30 partidos elegeram representantes para a Câmara dos Deputados. Com a fusão recente e outras incorporações e trocas de legenda, o número de siglas caiu para 23.
Da Redação, com informação da Agência Câmara
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