A pouco menos de 200 dias da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que acontecerá em novembro, Belém acelera o ritmo das obras e já concluiu 78% das estruturas previstas para o evento.
O Parque da Cidade, espaço que vai abrigar as negociações internacionais, lidera o avanço das intervenções e é apontado pelos organizadores como um dos maiores legados urbanísticos para a capital paraense.
O secretário extraordinário da COP30, Valter Correia, e a presidente do comitê estadual, Hana Ghassan, garantiram que tudo estará pronto a tempo para receber cerca de 50 mil integrantes das delegações de diversos países.
“As obras estão rigorosamente dentro do cronograma para que a COP seja um grande evento, inclusivo e acessível a todos”, afirmou Hana.
No total, estão sendo investidos R$ 4,5 bilhões em recursos federais, estaduais e municipais, distribuídos em 30 frentes de obras voltadas para melhorias de infraestrutura, saneamento, mobilidade e conectividade.
Segundo Hana Ghassan, os investimentos já geraram 5 mil empregos e vão beneficiar aproximadamente 900 mil pessoas.
O Parque da Cidade será dividido em duas áreas: a zona verde, dedicada à participação social e sob responsabilidade do Brasil, e a zona azul, onde ocorrem as negociações sob gestão direta da Organização das Nações Unidas (ONU).
A primeira já recebeu R$ 700 milhões em investimentos e ocupa 230 mil metros quadrados. Outros R$ 700 milhões estão previstos para uma nova etapa, em um espaço de 270 mil metros quadrados, que só será finalizada após a conferência.
No terreno do antigo aeroclube de Belém, já foram plantadas mais de 2 mil mudas e a meta é chegar a 2,5 mil árvores, integrando a área ao Centro de Convenções Hangar.
Além do parque, estão em andamento reformas em escolas, que vão funcionar como alojamentos, e a construção de um novo porto para transatlânticos, que também serão utilizados para hospedagem dos participantes.
As obras incluem ainda melhorias em vias públicas e macrodrenagem em 13 canais distribuídos por quatro bacias hidrográficas da cidade.
Para garantir hospedagem suficiente durante a COP30, serão disponibilizados 50 mil leitos. A iniciativa privada está construindo três novos hotéis, que juntos somam mais de 500 leitos, e uma plataforma de aluguel de imóveis por temporada será lançada em maio.
O secretário Valter Correia detalhou que a Casa Civil firmou um acordo com a Embratur, no valor de R$ 263 milhões, para modelagem, planejamento e gestão das operações de hospedagem em transatlânticos.
“A Embratur agora está no processo de contratação da operadora que vai trazer os navios e que vai vender as diárias. Portanto, teremos uma segunda plataforma, também oficial, onde poderão fazer as reservas e a compra efetiva de cada uma dessas cabines e leitos que estarão disponíveis”, explicou.
Ainda segundo os organizadores, há diálogo permanente com as associações de hospedagem do estado para evitar práticas abusivas de preços no período do evento.
A realização da COP30 em Belém deve impactar não apenas a economia, mas também a paisagem urbana e o acesso a infraestrutura de saneamento e mobilidade, ampliando o legado do evento para além do debate ambiental.
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