quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Bolsonaro usou dados falsos do meio ambiente na ONU por 4 anos seguidos

Na frente de líderes mundiais, Bolsonaro repetiu que a Amazônia e florestas tropicais estariam sendo preservadas, citando dados enganosos.
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Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro (PL) fez declarações falsas sobre o meio ambiente em todas as quatro sessões de abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) de que participou.

Das 30 frases classificadas pela Lupa como falsas ou exageradas nas quatro sessões, quase um terço (9) era sobre esse tema.

Dados exagerados

Na frente de líderes mundiais, ele repetiu por quatro anos consecutivos que a Amazônia e florestas tropicais estariam sendo preservadas, citando dados enganosos para tentar embasar o seu discurso.

Na sessão desta terça-feira (20), Bolsonaro afirmou que 80% da Amazônia estaria intocada. No ano passado, ele chegou a usar um dado maior: 84%. Em ambos os casos, o dado era exagerado.

Levantamento do MapBiomas mostra que, embora 82,1% da Amazônia seja coberta por vegetação nativa, isso não significa que essa área esteja “intocada”, conforme disse o presidente nas duas ocasiões.

Os satélites utilizados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) para medir desmatamento (sistema Prodes) não conseguem distinguir áreas degradadas que ainda tenham árvores de pé daquelas que ainda estão preservadas.

Histórico de notícias falsas

Em 2020, Bolsonaro escolheu dizer que o Brasil é líder em conservação de florestas tropicais. Na ocasião, a informação foi classificada como falsa, já que um terço da perda de florestas tropicais primárias do mundo foi registrada no território brasileiro. Os dados são de junho de 2020 da Global Forest Watch, organização não-governamental que faz o monitoramento de florestas em todo o planeta. 

Já em 2019, na primeira sessão de abertura em que Bolsonaro participou, o presidente fez uma fala mais abrangente e disse que a Amazônia estaria “praticamente intocada”, o que também é falso. Na época, os dados da plataforma MapBiomas apontavam que 14,4% da Amazônia brasileira não estava com sua cobertura vegetal original.

Além de falar sobre Amazônia, Bolsonaro também afirmou, em 2020, que o governo federal tinha uma “política de tolerância zero com crime ambiental”. Contudo, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) multou 40% menos entre janeiro e julho de 2020 em relação ao mesmo período do ano anterior. Existiam ainda investigações que tentavam apurar se servidores do governo federal tiveram participação em crimes ambientais.

Texto: Nathália Afonso (Agência Lupa)

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