Há um mito de que o eleitor é um ser racional, que ouve propostas, escuta os debates e escolhe de forma autônoma o seu candidato. Nada mais equivocado. O eleitor está dentro de uma sociedade, imerso em relações de poder dos mais diversos tipos.
Por outro lado, os candidatos não são figuras que descem dos céus periodicamente. São pessoas de carne e osso, com uma inserção na sociedade, recursos materiais e simbólicos os mais diversos e toda uma rede de poderes e facilidades por trás.
Vamos aos exemplos: podemos começar com os ‘candidatos–filho’. É difícil competir contra filhos de políticos estabelecidos e com bases estruturadas. Só de passagem, podemos citar Marcelo Serafim (Avante) e Arthur Bisneto (PSDB). Há os filhos de prefeitos do interior, onde podemos citar Mayara Pinheiro (Republicanos).
Também há aqueles candidatos que vêm de famílias longamente estabelecidas na política, que formaram verdadeiros clãs no Amazonas, como os Lins (Átila e Belarmino, por exemplo, somando agora o médico George Lins), os Castelo Branco (Sabino, Vera e Reizo), os Reis (Sabá e David) ou os Souza (Carlos, Fausto e Willace).
Temos o caso de empresários que entram na política (Saullo Vianna), de pastores que se elegem com votos de suas igrejas (Silas Câmara e João Luiz) e daqueles que vêm de famílias com recursos próprios e notoriedade e usam disso para impulsionar seu filho/familiar candidato (Amom Mandel e Fausto Júnior).
Outro caso interessante, que também mostra esse desnível nas candidaturas é o dos secretários que saem candidatos. Muitos deles passam três anos fazendo abertamente uma pré-campanha e anunciando que serão candidatos. Aproveitam da visibilidade dos cargos e do acesso à mídia para divulgar seus nomes. Podemos mencionar, por ora, Carol Braz (PDT), Coronel Menezes (PL) e Pauderney Avelino (DEM), sendo que este já é um nome mais conhecido do eleitor.
Não podemos esquecer os ‘eternos’ candidatos. São aqueles que estão há anos no parlamento e se reelegem constantemente. É dureza pensar qual era sua profissão anterior. Como exemplo, temos Sinésio Campos (PT), mas poderíamos citar ainda, Marcelo Ramos (PSD), Marcos Rotta (PP) e Sidney Leite (PSD), que sempre estão em cargos e já possuem estruturas eleitorais firmes.
Outro caso peculiar são os apresentadores de TV e rádio. Estes já foram mais predominantes. Contudo, estão sempre na dianteira, pois possuem exposição diária e atingem diretamente as camadas mais populares, geralmente com programas assistenciais e policialescos. Bons exemplos são Mirtes Salles (Republicanos) e o próprio governador Wilson Lima (UB), sem falar nos famosos irmãos Souza. Nessa linha, ainda podemos mencionar o ex-vice-governador Henrique Oliveira (Podemos), sem esquecer de Rotta e Sabino Castelo Branco.
Em outras eleições, já tivemos os médicos como dominantes. Atualmente, vemos, no embalo dos problemas de segurança e da eleição de 2018, os policiais e militares como os mais visados pela mídia e pelas redes sociais (Capitão Alberto Neto/PL, Delegado Pablo/UB e Delegado Péricles/PL).
Não há campanha equilibrada ou sem favoritos. É por isso que os partidos escolhem cuidadosamente os candidatos. Além disso, já há estruturas de poder estabelecidas, que vão desde o dinheiro até a exposição à mídia ou o nome da família. E tudo isto é mais um ponto a se pensar quando falamos em campanhas e eleições.
Texto: Gilson Gil
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