O presidente Jair Bolsonaro (PL) se reuniu nesta terça-feira (7) com o vice-presidente do Telegram, Ilya Perekopsky, e quis saber dele o que foi tratado num encontro do executivo na véspera com o TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
A reunião contou com a presença de Alan Thomaz, sócio da Campos Thomaz Advogados, que é o representante legal do Telegram no Brasil. “Ótima conversa sobre a sagrada liberdade de expressão, democracia e cumprimento da Constituição”, disse Bolsonaro em rede social.
O aplicativo, amplamente utilizado por bolsonaristas, já esteve na mira da Justiça Eleitoral e esteve sob risco de ser banido do país por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal). Hoje, tem parceria firmada com o TSE.
Perekopsky esteve na segunda (6) no TSE, onde teve reunião com o presidente da corte, Edson Fachin. No encontro no Planalto, Bolsonaro questionou os representantes do Telegram sobre o que foi tratado com Fachin na véspera.
O dirigente, segundo relatos, se limitou a dizer que dados do aplicativo são protegidos e que respeita as leis do país. Os representantes da plataforma também disseram, segundo relatos, que não atuam em países onde a privacidade dos usuários não é respeitada.
O TSE divulgou nota após a reunião com o Telegram, em que a empresa anunciou medidas de monitoramento de conteúdos publicados em grupos da plataforma.
“É a primeira vez que a plataforma faz esse acompanhamento e, a partir da experiência brasileira, a ferramenta será replicada para outros países que também enfrentam ameaças à democracia por meio da disseminação de conteúdo falso”, disse a corte em nota.
Telegram
O aplicativo já esteve na mira da Justiça Eleitoral por ignorar tentativas de contato do TSE e por ter uma estrutura mais propícia à viralização de conteúdos falsos. A plataforma, contudo, assinou uma parceira com o tribunal em maio, com compromisso de enfrentar a desinformação.
Como parte dos compromissos, a empresa criou um canal oficial do TSE dentro da plataforma de mensagens para divulgar informações oficiais sobre as eleições. O canal tem mais de 184 mil membros.
O presidente Bolsonaro chegou a classificar como “covardia” o cerco da Justiça ao aplicativo, ainda em janeiro.
Texto: Marianna Holanda, folha Press
Leia Mais: