O deputado federal Marcelo Ramos (PL) foi destituído da vice-presidência da Câmara dos Deputados nesta segunda-feira (23). O parlamentar usou as redes sociais para comunicar a decisão da Secretaria-Geral da Mesa Diretora da Casa e justificou a perda do cargo por “defender a Zona Franca de Manaus (ZFM), os empregos e a economia do Amazonas”.
“Quero dizer que respeito e cumpro a decisão do ministro Alexandre de Moraes que, não julgou o mérito, mas a incompetência do TSE [Tribunal Superior Eleitoral]. Eu sou um democrata e jurei a Constituição, defendo as decisões judiciais até quando discordo delas”, publicou o deputado.
No entanto, Ramos atribui a destituição do cargo à pressão do presidente Jair Bolsonaro (PL) ao presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL). Segundo o parlamentar do Amazonas, a ordem de Bolsonaro a Lira foi dada por uma live.
“Fui eleito pelo voto de 396 deputados e deputadas e destituído por 1 e atendendo a uma ordem do Presidente da República”, disse.
Ainda nas redes sociais, o parlamentar destacou ainda que “não é homem de trocar cargo por silêncio”.
“A vice-presidência da Câmara não vale minha omissão aos ataques do governo federal à ZFM, que atingem os empregos dos amazonenses, as escolas dos amazonenses, os hospitais dos amazonenses, a Universidade do Estado do Amazonas, os recursos destinados ao interior do Amazonas”, disparou o deputado após a decisão de Moraes.
Marcelo Ramos mandou um recado para quem o mediu pela régua. “Diferente dos que vendem suas consciências e vendem a democracia por alguns tostões, eu sempre ficarei com os meus ideias. Amanhã irei à Tribuna da Câmara dos Deputados falar ao Brasil”.
O agora ex-vice-presidente da Câmara disse que não liga pra cargo se o preço for o seu silêncio em relação à inflação que, segundo ele, “está tirando o direito do pobre de comer, de comprar o gás, de pagar a conta de energia”.
Assista ao vídeo com o pronunciamento de Marcelo Ramos após a decisão da mesa diretora da Câmara dos Deputados:
O quem vem agora
Marcelo Ramos foi destituído porque deixou o PL, partido pelo qual foi eleito vice-presidente da Câmara, para o PSD, justamente por discordar do apoio a Bolsonaro.
A eleição ocorre após o ministro Alexandre de Moraes, do TSE, revogar liminar pedida por Ramos para ficar no cargo. Ele se baseava em decisão anterior, adotada na época do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (MDB-RJ), em 2016, de que mudanças para um partido do mesmo bloco parlamentar não levavam a perda do cargo.
Porém, o atual presidente da Câmara decidiu seguir o que está escrito no regimento interno, de que o cargo é do partido.
O plenário elegerá um novo vice-presidente até fevereiro de 2023, que terá que ser do PL, partido de Bolsonaro.
Texto: Isac Sharlon
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