quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Em Maués, 20 mil pessoas estão ameaçadas com 'IPI zero' de bebidas

Decreto que zera o IPI dos concentrados de refrigerantes ameaça saída de empresas da Zona Franca e fim dos investimentos no interior como em Maués, na produção do guaraná.
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Produção de guaraná em Maués tem apoio da Ambev com benefícios sociais (Foto: Divulgação/TV Brasil)
Produção de guaraná em Maués tem apoio da Ambev com benefícios sociais (Foto: Divulgação/TV Brasil)

Quase 20 mil trabalhadores beneficiados por um investimento da Ambev, em Maués, distante 276 quilômetros a leste de Manaus, estão ameaçados de perder sua principal fonte de renda, após a redução para zero do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) dos concentrados de refrigerantes pelo Governo Bolsonaro para todo o país. O corte retira vantagens competitivas da Zona Franca de Manaus (ZFM).

No município, a empresa mantém a Fazenda Santa Helena e a filial Extratos. Inaugurado em 1971,
o local ocupa uma área de mais de mil hectares, dos quais 860 de mata nativa preservada. Lá, a Ambev cultiva o guaraná, a matéria-prima do Guaraná Antarctica. Além da Fazenda Santa Helena, a companhia ainda mantém uma unidade, que produz o extrato para o Guaraná Antarctica.

A população de toda a região tem sido beneficiada por uma série de investimentos da companhia, como financiamento de mais de 1,3 mil casas populares na zona rural, onde está localizada cerca de 40% da população do município de Maués; a criação e manutenção de 12 polos agrícolas onde técnicos capacitados orientam os produtores a adotarem as melhores técnicas de cultivo do guaraná); doação de mais de meio milhão de mudas e insumos agrícolas e construção do Museu do Homem em Maués, entre outros.

Sobe o decreto

O decreto do Governo Federal ‘zerando’ o IPI dos concentrados de bebidas saiu na quinta-feira (28). O texto, segundo economistas, empresários e políticos, põe em risco a manutenção de empresas de refrigerantes como Coca-Cola e Ambev no Amazonas e, por tabela, tira empregos e investimentos, incluindo no interior do Estado, caso de Maués e Presidente Figueiredo, onde a Agropecuária Jayoro produz açúcar, álcool e extrato de guaran para abastece a Coca-Cola. O temor é que a fábrica perca 1,1 mil empregos diretos.

No dia seguinte ao decreto, o prefeito do município Júnior Leite (UB) publicou uma nota de “repúdio” à medida do presidente Jair Bolsonaro. Segundo ele, Quase 20 mil pessoas se envolvem diretamente na colheita, beneficiamento e comercialização do produto. “Estou em contato com nossos representantes na esfera federal para que juntos possamos unir forças e minorar o impacto causado por esse decreto”, manifestou o prefeito.

Texto: Emerson Medina

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