Após ser chamado de “vagabundo” por Jair Bolsonaro (PL), em 2020, quando era prefeito de Manaus, Arthur Neto (PSDB), agora, defende o presidente. Nesta segunda-feira (18), o ex-prefeito, que é pré-candidato ao Senado, disse que “o presidente está sendo jogado contra os amazonenses”, se referindo ao decreto que reduz o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) em 25% para todo o Brasil.
Arthur Neto publicou um vídeo nas redes sociais e jogou para o ministro da Economia, Paulo Guedes, a responsabilidade pela edição do decreto que mina a competitividade das empresas instaladas na Zona Franca de Manaus (ZFM).
“O presidente Jair Bolsonaro que pleiteia a reeleição está sendo jogado pelo ministro Paulo Guedes, contra o povo amazonense”, disse.
O ex-prefeito, que já assumiu ter votado em Fernando Haddad (PT) no segundo turno das eleições de 2018, disputa uma vaga no Senado nas eleições deste ano. Na maioria dos cenários de intenção de voto, Arthur fica atrás do atual senador Omar Aziz (PSD), que tenta a reeleição.
Arthur já foi chamado de ‘vagabundo’
Em abril de 2020, o Supremo Tribunal Federal (STF) tirou o sigilo de uma reunião ministerial que seria a prova para evidenciar a intervenção de Bolsonaro na Polícia Federal, conforme o então ministro da Justiça, Sergio Moro.
Na reunião, Bolsonaro fez ataques pessoais a Arthur e desferiu xingamentos ao então prefeito. Na época, a cidade era a primeira do país a enfrentar o colapso médico e funeral.
“Aproveitaram o vírus, tá um bosta de um prefeito lá de Manaus agora, abrindo covas coletivas. Um bosta. Que quem não conhece a história dele, procura conhecer, que eu conheci dentro da Câmara, com ele do meu lado! Né?”, disse o presidente.
“E nós sabemos o… o que, a ideologia dele e o que ele prega. E que ele sempre foi. O que a… tá aproveitando agora, um clima desse, pra levar o terror no Brasil”, conclui Bolsonaro.
Eleitores bolsonaristas
Analistas políticos avaliam que ao eximir Bolsonaro da culpa pela edição do decreto, o ex-prefeito estaria tentando captar o voto bolsonarista que, na capital, é maioria. Omar, principal concorrente de Arthur nestas eleições, foi presidente da CPI da Pandemia no ano passado e teve fortes embates com o presidente da República.
Tentando se eleger para a única vaga disponível no Senado, Arthur, que sempre foi um defensor ferrenho das vantagens comparativas da ZFM, calibrou o discurso para surfar na onda bolsonarista.
Texto: Jefferson Ramos
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