quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Combustível caro e assaltos começam a parar transportadoras fluviais

Sindicato afirma prejuízos decorrentes de furtos às embarcações, e o aumento nos custos operacionais pressiona o setor ocasionando paralisação de transportadoras de cargas.
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Barco empurrador transportando barcaças com contêineres no rio Amazonas, cercado por vegetação ribeirinha
Embarcação de carga com contêineres navega pelo rio Amazonas, principal rota logística da Zona Franca de Manaus

Aumento no preço dos combustíveis e assaltos constantes, nos rios, afetam o segmento de transporte fluvial de cargas e de passageiros. O Sindicato das Empresas de Navegação Fluvial no Estado do Amazonas (Sindarma) afirma que mensalmente o setor contabiliza prejuízos estimados em R$1 milhão, gerados por furtos às embarcações. O cenário ainda é agravado pelo encarecimento nos custos operacionais por conta da elevação do valor do combustível, ocasionando fechamento de empresas do setor.

“O aumento do preço do combustível e a incidência de assaltos nos rios fazem com que o custo amazônico suba, o que é desinteressante para todos, tanto para os transportadores quanto para quem depende do abastecimento via fluvial. Muitas empresas de transporte de passageiros e de cargas estão parando as operações porque não estão suportando os custos”, disse o presidente do Sindarma, Galdino Alencar Júnior.

De acordo com o presidente, o combustível representa mais de 50% na base de cálculo do custo do frete, além de incidir sobre o encarecimento de insumos demandados pelo transporte fluvial como lubrificantes, filtro, gás, entre outros. Ele afirma que as empresas tentam recalcular os custos, mas em meio aos reajustes expressivos, o repasse dos aumentos ao frete é inevitável.

Conforme o presidente, os reajustes alcançaram os seguintes percentuais por modal: transporte fluvial de combustível (entre 6% e 10%); carga geral que vem de Porto Velho (RO) para abastecer Manaus e municípios (aumentou para R$150 a tonelada, aumento médio de 20%); transporte fluvial de carretas e automóveis de Manaus para Porto Velho (aumento médio de 20% no valor do frete); preço das passagens de passageiros (aumentou em média 20%) – dependendo da calha ou trecho.

Prejuízos decorrentes dos assaltos

Alencar Júnior relata que no último ano o setor de transporte fluvial registrou perdas de mais de R$100 milhões provenientes de roubos às embarcações, incluindo todos os modais de cargas. Em 2022, segundo o presidente, os prejuízos mensais são de R$1 milhão. As empresas estão contratando escolta armada na tentativa de coibir os furtos.

Os principais trechos onde ocorrem os furtos são: Manaus-Santarém, Santarém-Belém, e a extensão do Rio Madeira indo até Porto Velho, este último trecho, segundo Júnior, é o ponto de maior incidência de assaltos.

“Na segunda-feira (11) uma balsa da empresa amazonense E D Lopes foi assaltada, no Rio Amazonas, próximo à divisa do Pará com o Amapá. Os assaltantes levaram 430 mil litros de gasolina, um prejuízo de mais de R$ 3 milhões, além das ameaças à tripulação”, relatou o empresário.

O presidente relata que o Sindarma já relatou o problema aos órgãos competentes como Polícia Federal, Marinha, Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), dentre outros, órgãos que se comprometeram em operar conjuntamente contra o crime nos rios.

“É preciso agir com rapidez porque os assaltos milionários continuam. As autoridades competentes pretendem realizar operações conjuntas para coibir os assaltos”, disse.

Texto: Priscila Caldas

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