Não fossem as questões políticas, ambientais e inseguranças jurídicas, o Amazonas seria o maior explorador de potássio no Brasil, mas ao contrário disso, está há pelo menos 20 anos atrasado nesta exploração. A avaliação é do o geólogo e analista ambiental do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), Daniel Nava.
De acordo com o especialista, a discussão em torno da exploração das jazidas do mineral no estado tiveram início no ano de 2004. Com boa parte das jazidas sob responsabilidade do governo federal, o estado acabou ficando por 18 anos de “mãos atadas” em relação ao tema.
“O governo federal deixou, por muito tempo, essa discussão de lado e até hoje não temos uma resposta. Passaram-se vários governos – situação, oposição – e, infelizmente hoje estamos em uma ‘sinuca de bico’ em relação ao aproveitamento e à manutenção da exploração do potássio no estado. Infelizmente, temos tido muita insegurança para os investidores por parte da política ambiental brasileira, por parte da política tributária e por uma série de questões que ficam muito mais no discurso e que não são equacionadas para que o país se torne atrativo para o investidor”, explica o geólogo.
Ele ressalta ainda que, pelas características próprias da atividade da extração mineral, os investidores do setor buscam segurança, o que a atual legislação brasileira não garante.
“O investidor do setor mineral é um investidor de risco. Ele aporta os recursos, mas não sabe se tem o minério. O investidor, quando vem para cá, vem em busca de projetos economicamente viáveis. Então se ele encontra um bom projeto, mas não encontra segurança jurídica, financeira, política e institucional, ele vai procurar outros lugares para investir. Ninguém vai aportar US$ 4 bilhões se não tiver confiança de que não terão problemas no desenvolvimento do projeto”, ressalta.
O Amazonas conta hoje com duas grandes reservas de potássio. A primeira, da Petrobras, está localizada na margem direita do rio Madeira. São reservas antigas que precisariam ser revalidadas em estudos mais atualizados. Na margem esquerda, em uma área conhecida como Vila de Urucurituba, no município de Autazes, existe o projeto da empresa privada Potássio do Brasil. O investimento para a exploração das primeiras lavas de potássio nesta região estão avaliados na ordem de US$ 3 a US$ 4 bilhões.
Texto: Lucas Raposo
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