quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Orçamento secreto: quatro parlamentares do AM receberam R$ 100,91 milhões

Levantamento feito pelo jornal carioca O GLOBO revela que a lógica para liberação de recursos do orçamento secreto obedece a critérios desiguais que excluem oposicionistas.
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Quatro parlamentares do Amazonas no Congresso Nacional receberam R$ 100,91 milhões do orçamento secreto, esquema criado pelo governo Bolsonaro para facilitar a conquista de apoio entre deputados e senadores.

Um levantamento feito pelo jornal carioca O GLOBO mostra que a distribuição da verba de R$ 3,2 bilhões entre os parlamentares do Amazonas é desigual e obedece a lógica de quem apoia o governo, ganha mais.

O senador Omar Aziz (PSD) recebeu R$ 51,41 milhões, enquanto que o senador Eduardo Braga (MDB) recebeu R$ 41 milhões. O deputado federal Sidney Leite (PSD) apontou o destino de 7 milhões e o deputado bolsonarista Pablo Oliva (PSL) destinou outros R$ 1,5 milhão. Omar foi presidente da CPI da Covid do Senado e protagonizou vários embates com o presidente Bolsonaro por conta da gestão da pandemia.

Já Eduardo Braga, que integrou o G7 da CPI, ajudando os oposicionistas a formarem maioria no colegiado, chegou a mudar o discurso quando foi de seu interesse se alinhando momentaneamente ao presidente.

Os outros seis deputados não foram agraciados com valores das emendas secretas. Entre eles estão, o senador Plínio Valério (PSDB), que vocaliza pautas bolsonaristas, o vice-presidente da Câmara, deputado Marcelo Ramos, que decidiu sair do PL com a filiação de Bolsonaro, deputado José Ricardo (PT), Bosco Saraiva (SD), Silas Câmara (Republicanos) e Capitão Alberto (Republicanos), ambos defensores convictos do governo.

O esquema que agride o princípio da publicidade por omitir os nomes e o destino das verbas distribuídas chegou a ser anulado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Mas depois que os presidentes da Câmara e Senado convenceram a relatora da ação no Supremo, ministra Rosa Weber, de que projetos na área de saúde seriam prejudicados pela decisão, o Plenário do STF liberou novamente a prática, mas exigiu mais publicidade.

Texto: Jefferson Ramos

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