quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Tucum celebra 12 anos como marketplace indígena e amplia impacto socioambiental

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Amanda Santana participa de atividade com mulheres indígenas do Alto Rio Negro durante encontro comunitário
Fundadora da Tucum, Amanda Santana acompanha mulheres indígenas do Alto Rio Negro em atividade coletiva ligada à produção artesanal e troca de saberes

A plataforma Tucum completa, em 2025, 12 anos de atuação voltada à valorização da arte, dos saberes e das culturas dos povos indígenas. ]

Fundada em 2013, a iniciativa consolidou-se como o primeiro marketplace indígena do Brasil, operando com curadoria cultural, relações de longo prazo e impacto socioambiental em diferentes regiões do país.

Desde 2019, a Tucum integra o portfólio da Amaz Aceleradora de Impacto, iniciativa coordenada pelo Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam).

À época, o negócio estava em fase inicial de estruturação e passou a receber acompanhamento técnico, mentoria personalizada e aporte financeiro, ampliando processos, governança e capacidade de impacto. Atualmente, a Tucum opera como microempresa B2C, com vendas diretas ao consumidor final.

Segundo Gabriela Souza, líder de Novos Negócios do Idesam e de operações da Amaz, o apoio oferecido à Tucum foi ajustado ao estágio do empreendimento ao longo do tempo.

“O trabalho desenvolvido entre 2019 e 2025 mostra a necessidade de adaptar a jornada de aceleração à maturidade do negócio, gerando valor estratégico, conexões e acesso a mercado conforme sua capacidade de expansão”, afirmou.

Tucum é o primeiro marketplace indígena do Brasil

Experiência com povos indígenas

A trajetória da Tucum tem início a partir da vivência da fundadora, Amanda Santana, com os povos Kayapó e Krahô.

A experiência despertou a proposta de criar um negócio capaz de aproximar culturas, reconhecendo a arte indígena como expressão de memória, tecnologia ancestral e resistência, além de instrumento de geração de renda e autonomia.

Atualmente, a Tucum mantém parcerias com centenas de comunidades indígenas em todas as regiões do Brasil, mobilizando mais de 2.500 artesãs e artesãos.

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Na Amazônia, a atuação alcança nove estados, 56 territórios e quatro unidades de conservação, funcionando como canal direto de comercialização dos produtos.

O avanço ocorre em um cenário desafiador para a mensuração de impacto socioambiental na Amazônia, em razão da dimensão territorial e do tempo necessário para mudanças estruturais.

Ainda assim, o portfólio da Amaz Aceleradora registra área de influência estimada em 6,4 milhões de hectares e mais de 1.959 famílias impactadas.

Atualmente, a aceleradora reúne 16 negócios que atuam em áreas como turismo, cosméticos, moda e arte, produtos alimentícios, agricultura, reflorestamento e logística.

Arte e ativismo

Entre os artistas parceiros está Washamani Mehinako, da aldeia Kaupuna, no território do Alto Xingu. Seu trabalho é inspirado nos animais, nos grafismos corporais e nos rituais do povo Mehinako, incluindo máscaras que representam a ararinha, guardiã dos rios e dos peixes.

As telas reproduzem padrões associados às pinturas corporais, escamas e olhos de peixe, elementos presentes em festas e cerimônias tradicionais.

“Desde que conheci a Amanda, meu trabalho ganhou visibilidade. A Tucum não ajuda apenas nas vendas, mas também na divulgação, levando meu nome a outros lugares. Faço parte de uma rede que reúne artes de muitos povos, e espero que essa parceria continue”, declarou o artista.

Ao longo de seus 12 anos, a Tucum desenvolveu coleções, exposições, experiências e processos formativos que propõem uma reflexão sobre consumo, estética e desenvolvimento, colocando os povos indígenas como protagonistas. A marca possui o selo Origens e inaugurou, em 2024, uma loja física no Rio de Janeiro.

Para a fundadora, a atuação da Tucum também se conecta ao debate climático. “Celebramos diariamente a Amazônia e os povos que mantêm a floresta de pé. Em um contexto de mudanças climáticas cada vez mais evidentes, caminhar ao lado dos guardiões da floresta é parte da nossa missão”, afirmou.

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