A plataforma Tucum completa, em 2025, 12 anos de atuação voltada à valorização da arte, dos saberes e das culturas dos povos indígenas. ]
Fundada em 2013, a iniciativa consolidou-se como o primeiro marketplace indígena do Brasil, operando com curadoria cultural, relações de longo prazo e impacto socioambiental em diferentes regiões do país.
Desde 2019, a Tucum integra o portfólio da Amaz Aceleradora de Impacto, iniciativa coordenada pelo Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam).
À época, o negócio estava em fase inicial de estruturação e passou a receber acompanhamento técnico, mentoria personalizada e aporte financeiro, ampliando processos, governança e capacidade de impacto. Atualmente, a Tucum opera como microempresa B2C, com vendas diretas ao consumidor final.
Segundo Gabriela Souza, líder de Novos Negócios do Idesam e de operações da Amaz, o apoio oferecido à Tucum foi ajustado ao estágio do empreendimento ao longo do tempo.
“O trabalho desenvolvido entre 2019 e 2025 mostra a necessidade de adaptar a jornada de aceleração à maturidade do negócio, gerando valor estratégico, conexões e acesso a mercado conforme sua capacidade de expansão”, afirmou.

Experiência com povos indígenas
A trajetória da Tucum tem início a partir da vivência da fundadora, Amanda Santana, com os povos Kayapó e Krahô.
A experiência despertou a proposta de criar um negócio capaz de aproximar culturas, reconhecendo a arte indígena como expressão de memória, tecnologia ancestral e resistência, além de instrumento de geração de renda e autonomia.
Atualmente, a Tucum mantém parcerias com centenas de comunidades indígenas em todas as regiões do Brasil, mobilizando mais de 2.500 artesãs e artesãos.
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Na Amazônia, a atuação alcança nove estados, 56 territórios e quatro unidades de conservação, funcionando como canal direto de comercialização dos produtos.
O avanço ocorre em um cenário desafiador para a mensuração de impacto socioambiental na Amazônia, em razão da dimensão territorial e do tempo necessário para mudanças estruturais.
Ainda assim, o portfólio da Amaz Aceleradora registra área de influência estimada em 6,4 milhões de hectares e mais de 1.959 famílias impactadas.
Atualmente, a aceleradora reúne 16 negócios que atuam em áreas como turismo, cosméticos, moda e arte, produtos alimentícios, agricultura, reflorestamento e logística.
Arte e ativismo
Entre os artistas parceiros está Washamani Mehinako, da aldeia Kaupuna, no território do Alto Xingu. Seu trabalho é inspirado nos animais, nos grafismos corporais e nos rituais do povo Mehinako, incluindo máscaras que representam a ararinha, guardiã dos rios e dos peixes.
As telas reproduzem padrões associados às pinturas corporais, escamas e olhos de peixe, elementos presentes em festas e cerimônias tradicionais.
“Desde que conheci a Amanda, meu trabalho ganhou visibilidade. A Tucum não ajuda apenas nas vendas, mas também na divulgação, levando meu nome a outros lugares. Faço parte de uma rede que reúne artes de muitos povos, e espero que essa parceria continue”, declarou o artista.
Ao longo de seus 12 anos, a Tucum desenvolveu coleções, exposições, experiências e processos formativos que propõem uma reflexão sobre consumo, estética e desenvolvimento, colocando os povos indígenas como protagonistas. A marca possui o selo Origens e inaugurou, em 2024, uma loja física no Rio de Janeiro.
Para a fundadora, a atuação da Tucum também se conecta ao debate climático. “Celebramos diariamente a Amazônia e os povos que mantêm a floresta de pé. Em um contexto de mudanças climáticas cada vez mais evidentes, caminhar ao lado dos guardiões da floresta é parte da nossa missão”, afirmou.
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