A Editora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) lançou sete novas publicações durante atividade realizada na Casa da Ciência, no Parque Zoobotânico Emílio Goeldi, em Belém.
O evento integrou a programação paralela da COP30 e reuniu visitantes que acompanharam os lançamentos.
A iniciativa aproximou pesquisadores, estudantes, famílias e leitores interessados na produção científica desenvolvida na Amazônia, fortalecendo o diálogo com diferentes públicos.
O diretor do Inpa, Henrique Pereira, afirmou que a programação ampliou o alcance das obras. “Foi um momento de grande visibilidade para os nossos autores com as produções científicas do Inpa. Um contato direto com o público e um momento muito agradável de convívio, inclusive com sorteios das obras com mais de 100 participantes, em um momento ímpar de celebração da ciência amazônica”, disse.
Mudanças climáticas e sociobiodiversidade
Duas publicações dedicadas aos impactos das mudanças climáticas sobre a herpetofauna amazônica foram apresentadas pela pesquisadora Fernanda Werneck e pela equipe do Laboratório de Ecologia e Evolução de Vertebrados (Leevi).
O livro “Emergência Climática e a Sociobiodiversidade Amazônica” reúne pesquisas sobre anfíbios e répteis, espécies sensíveis às alterações ambientais.
“Estamos muito felizes em compartilhar com a comunidade esses produtos de um longo trabalho desenvolvido no laboratório, com financiamento da Fapeam e CNPq, para trabalharmos as questões de como as emergências climáticas e a crise de perda de espécies da biodiversidade são interligadas”, afirmou Werneck.
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A segunda obra, voltada ao público infantil e juvenil, é a 2ª edição de “A Herpetofauna Amazônica e as Mudanças Climáticas: Vamos Aprender Colorindo?”, assinada por Werneck, Felipe Zanusso, Jordana Ferreira, Geovana da Silva e William Nascimento.
O livro utiliza ilustrações e linguagem acessível para introduzir conceitos científicos a diferentes faixas etárias.
“Os livros são a culminação de vários projetos de pesquisa, extensão e popularização, e trazem um sumário de como as pesquisas são desenvolvidas no Leevi”, completou Werneck.
Educação ambiental
A publicação “Vamos Virar o Jogo: Tecendo na Amazônia a Educação Ambiental pelo Clima e pela Vida”, organizada por Maria Henriqueta Andrade Raymundo, Luiza Magalli Pinto Henriques, Henrique dos Santos Pereira, Hendryo André e Marcos Sorrentino, apresentou reflexões sobre práticas pedagógicas diante da crise socioambiental.
Para Sorrentino, diretor do Departamento de Educação Ambiental e Cidadania do Ministério do Meio Ambiente, a obra expressa uma construção coletiva.
“A obra é uma provocação voltada a ‘virar o jogo’ da degradação socioambiental. Reunimos olhares amazônicos que ajudam a compreender e agir de forma educadora e comprometida com a problemática ambiental.”
Recuperação de áreas degradadas
O título “Cicatrizando feridas: recuperando áreas degradadas na Amazônia”, organizado pelos pesquisadores Rogério Gribel e Gil Vieira, reúne experiências com manejo do solo, diagnósticos ambientais e integração de saberes locais.
“O livro relata experiências de diferentes tipos de impactos ambientais e como pesquisadores e técnicos interferiram para que o ambiente se recuperasse mais rapidamente e se transformasse em um ambiente mais produtivo”, explicou Gribel.
Alimento e conhecimento
A obra “Ariá: um alimento de memória afetiva” aborda o tubérculo amazônico Goeppertia allouia, presente na culinária regional.
O título, finalista do Prêmio Jabuti Acadêmico na categoria Ilustração, partiu da iniciativa do pesquisador Eli Minev Benzecry de reunir informações dispersas sobre o ariá.
A coautora Noemia Ishikawa destacou o caráter multilíngue da obra. “O livro foi escrito em português, inglês e tukano com a intenção de dialogar tanto com leitores do Brasil quanto de outros países. Também lançamos a série Mycelia 5, que aborda a micodiversidade e os fungos como oportunidade de renda na Amazônia.”
Ciência pan-amazônica
O livro trilíngue “Caminhos para a Ciência Pan-Amazônica (Caminos hacia la Ciencia Panamazónica / Pathways to Pan-Amazonian Science)” foi produzido por pesquisadores de oito instituições de cinco países da Pan-Amazônia que compõem a Rede Bioamazonia, com apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento.
A publicação reúne análises sobre bioeconomia, sistemas de conhecimento e governança local, gestão da biodiversidade e conflitos socioambientais.
Segundo o diretor do Inpa, Henrique Pereira, que também é vice-presidente da Rede Bioamazonia, “é a primeira vez que as principais instituições de ciência e tecnologia dos países amazônicos se reúnem para criar um protocolo técnico e científico integrado”.
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