Ministros de vários países desembarcam em Belém nesta semana para tentar destravar as negociações da COP30, que encerraram os últimos dias marcadas por impasses.
As divergências entre países ricos e nações em desenvolvimento seguem no centro do bloqueio e pressionam a reta final da conferência.
Os países desenvolvidos cobram compromissos mais firmes e maior regularidade na divulgação de dados de emissões.
Já o Sul Global insiste que só pode elevar suas metas climáticas mediante a garantia de financiamento prometido pelas economias mais ricas.
Esse impasse se concentra em quatro eixos: financiamento climático, regras de proteção comercial com justificativa ambiental, ambição das metas e transparência dos dados.
📲 Participe do canal do RealTime1 no Instagram
A pressão política e o pedido por mais esforço
A chegada dos ministros aumenta a expectativa por avanços. Especialistas entendem que esse é o momento em que as negociações mais tensas sobem para o nível político, onde os principais travamentos podem ser resolvidos.
Alguns textos técnicos, como o de transição justa, avançaram ao longo do ano, mas agora dependem de acordos entre lideranças nacionais.
Diante do ritmo lento criticado pela ONU, o presidente da COP30, André Corrêa do Lago, propôs uma reflexão baseada no Acordo de Paris, que completa dez anos.
A abordagem questiona se os países seguem as diretrizes pactuadas, se a implementação está funcionando e se o mundo tem respondido com urgência à crise climática. A ideia é reduzir as distâncias entre os dois blocos que mantêm divergências históricas.
O secretário executivo da Convenção do Clima, Simon Stiell, também fez um apelo direto. Ele pediu que os países intensifiquem esforços, superem cansaços e entreguem consensos concretos. Stiell lembrou que o sucesso da conferência depende da disposição de ouvir prioridades alheias e de negociar com urgência.
No campo financeiro, até houve avanço relevante. O Fundo Florestas Tropicais para Sempre alcançou US$ 5,5 bilhões em compromissos e pode chegar a US$ 25 bilhões.
Bancos multilaterais anunciaram um incremento de US$ 185 bilhões para ações climáticas e o BID destinou US$ 1 bilhão para adaptação urbana na Amazônia.
A União Europeia também realizou sua primeira doação ao Fundo Amazônia, e houve progresso na qualificação global dos mercados de carbono, com apoio de China, Alemanha e França.
Leia Mais: