A primeira semana da COP30 terminou sem avanços significativos e sob críticas inéditas da ONU à organização do evento.
Os principais temas seguem travados, reforçando o temor de que a conferência tenha dificuldade para apresentar resultados concretos diante da urgência climática.
As negociações emperram, sobretudo, na disputa entre países ricos e nações em desenvolvimento. Os países desenvolvidos cobram compromissos mais rígidos e maior regularidade na divulgação de dados sobre emissões.
Já o Sul Global insiste que não ampliará suas metas sem garantias reais de financiamento — promessa que, segundo delegações, não vem sendo cumprida pelos mais ricos.
O clima entre os negociadores ficou mais tenso ao longo da semana, com diplomatas relatando endurecimento das posições.
O Brasil, na condição de anfitrião, tenta manter o diálogo vivo. A presidência da COP pretende intensificar as conversas bilaterais e convocou nova plenária para este sábado, buscando reduzir a distância entre os blocos e destravar ao menos parte da agenda.
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Criticada pela ONU, organização vira foco da conferência
Além dos impasses políticos, a operação da COP30 virou tema de preocupação internacional. A ONU enviou uma carta ao ministro Rui Costa, ao presidente da conferência, André Corrêa do Lago, e ao governador Helder Barbalho, cobrando ajustes imediatos na segurança e na infraestrutura do evento.
A iniciativa é incomum: apesar de gerenciar a Blue Zone — área oficial das negociações —, a organização raramente formaliza reclamações desse tipo durante as COPs.
O estopim foi a invasão de manifestantes à Blue Zone na noite de terça-feira (11), rompendo barreiras de acesso e interrompendo parte da programação. A ONU classificou o episódio como falha de segurança e pediu reforço urgente para evitar novos incidentes.
Delegações também relataram problemas desde o início da conferência, como falhas no sistema de refrigeração, falta de água em banheiros e dificuldades operacionais consideradas atípicas para um evento de porte global.
Após a cobrança, a Casa Civil afirmou que não participou das decisões de segurança do dia da invasão e destacou que a UNDSS, setor da ONU responsável pela proteção interna da Blue Zone, coordena as ações.
O governo informou que reforçou os perímetros de segurança após reavaliação conjunta entre autoridades federais, estaduais e a própria ONU.
Com a segunda semana da conferência pela frente, a expectativa é de que as negociações ganhem ritmo — e de que os problemas estruturais não roubem o protagonismo de uma COP que já enfrenta desafios suficientes na mesa de negociação.
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