A Colômbia anunciou, durante a COP30 em Belém, a decisão de interromper toda a exploração de petróleo, gás e mineração em larga escala dentro de sua porção da Amazônia.
Com isso, o país se tornou o primeiro da região a assumir publicamente que não pretende mais extrair combustíveis fósseis do maior bioma tropical do planeta.
O anúncio foi feito pela ministra interina do Meio Ambiente, Irene Vélez Torres, durante reunião da OTCA.
Ela chamou a medida de um “investimento ético” e afirmou que, embora apenas 7% da Amazônia esteja em território colombiano, o bioma representa 42% do país — e, por isso, deve ser protegido integralmente. A área preservada supera 483 mil km².
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Pressão política e divergências regionais
A decisão reacende um debate que já havia se instalado na Cúpula da Amazônia, em 2023, quando Gustavo Petro cobrou dos demais governos maior ambição climática e criticou a resistência ao fim da exploração fóssil.
O Brasil, por exemplo, segue desenvolvendo projetos de gás em terra e avançando na exploração offshore na Foz do Amazonas — posição que afasta qualquer possibilidade de adesão imediata à proposta colombiana.
A posição de Petro cria desconforto entre os países amazônicos, principalmente porque alguns dependem fortemente da extração de combustíveis fósseis para manter suas economias, como a Bolívia.
Já a Colômbia, cuja maior parte das reservas está fora da Amazônia, na região da Orinoquia, enfrenta um impacto econômico relevante: o setor de mineração e energia responde por 7% do PIB, mais da metade das exportações e cerca de 500 mil empregos formais.
A pressão política também vem das populações tradicionais. Em evento na COP30, o cacique Jonas Mura, do Amazonas brasileiro, lamentou a exploração de gás em território indígena ainda não homologado, alertando para a perda de água potável, peixes e floresta.
Organizações ambientais avaliam que a decisão colombiana mostra que “escolhas ousadas são possíveis”, como afirmou Helena Mullënbach, da 350.org.
Mas elas também cobram que os povos indígenas liderem o processo de implementação dessas políticas, lembrando conflitos recentes, como o caso da mina da empresa Libero Copper em Putumayo, acusada de violar direitos tradicionais.
Com o anúncio, a Colômbia tenta puxar os países amazônicos para uma nova postura global: transformar a floresta em um símbolo de justiça ambiental e resistência à crise climática — ainda que, por enquanto, caminhe sozinha nesse esforço.
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