A conselheira municipal de Cultura, Loren Lunière, denunciou o que ela definiu como paralisia das comissões de Cultura da Câmara Municipal de Manaus (CMM) e da Assembleia Legislativa do Estado (Aleam).
No vídeo publicado nas redes sociais com o título “Comissões de Cultura da Câmara e Assembleia não funcionam”, Loren lembra que nenhum dos pedidos de reunião e audiência pública feitos desde maio e outubro para discutir políticas culturais e a lei orçamentária foi atendido.
“As comissões que deveriam ouvir a classe artística não funcionam. É inadmissível que a cultura amazonense continue fora das discussões políticas”, critica Lunière.
A conselheira destacou ainda a comparação com o Pará, que possui leis de incentivo e percentuais orçamentários fixos para o setor. No Amazonas, diz ela, o problema é de decisão política: “Investir em cultura é uma escolha, e o que vemos é a ausência dessa escolha”.
Assista o vídeo:
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Falta de transparência e projetos irrelevantes
Levantamento do RealTime1 confirma as críticas da conselheira.
Na Câmara Municipal, a Comissão de Cultura e Patrimônio Histórico, agora presidida pelo vereador Dione Carvalho (Agir) após a cassação de Elan Alencar, não possui nenhuma matéria em tramitação.
O site oficial da Casa também não apresenta informações sobre reuniões, atas ou pareceres da comissão — um sinal de paralisia ou falta de transparência.

Na Assembleia Legislativa, a Comissão de Cultura e Economia Criativa, presidida por Abdala Fraxe (Avante) e com Wanderley Monteiro (Avante) como vice, acumula 24 matérias, mas a grande maioria delas é de baixo impacto cultural.
São nove propostas de criação de “Dias Estaduais” com temas alheios à cultura e economia criativa como o “Dia da Família ao Pé da Cruz”, “Dia da Escola Bíblica Dominical”, “Dia da Família Cristã” e até o “Dia da Conscientização sobre a Menopausa”.
Entre essas matérias estão:
- 9 projetos tratam da criação de “Dias Estaduais” — exemplos incluem o Dia da Escola Bíblica Dominical, o Dia da Família Cristã, o Dia da Família ao Pé da Cruz e até o Dia do Antigomobilismo e o Dia da Conscientização sobre a Menopausa.
- 6 projetos propõem a inclusão de eventos no calendário oficial do Estado, como o Festival Seguro Amazonas, o Festival de Quadrilhas de Parintins e o Cultura sobre Rodas – Amazonas;
- 4 matérias concedem títulos honoríficos e homenagens, como o Título de Cidadão do Amazonas a personalidades religiosas e comunitárias;
- 3 projetos classificam municípios ou eventos como “Capitais Simbólicas”, como o que declara um município “Capital Amazonense do Café” e outro “Capital da Música Gospel”.
Essas iniciativas, de fato, não produzem efeitos reais sobre o desenvolvimento cultural. Servem apenas para preencher a pauta legislativa, enquanto projetos de real impacto social e econômico — como o PL nº 403/2025, que cria diretrizes para a preservação e restauração do patrimônio histórico-cultural do Amazonas — seguem parados, aguardando parecer da comissão.
A discrepância entre o que deveria ser discutido e o que de fato tramita revela comissões desconectadas de sua função pública, voltada a simbolismos e homenagens, e não ao fortalecimento da economia criativa, à formação técnica de artistas ou à formulação de políticas públicas de Cultura.
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