terça-feira, 22 de setembro de 2026

Hospedagem cara em Belém gera impasse entre Brasil e ONU a 80 dias da COP30

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A 80 dias do início da COP30, o Brasil confirmou que apenas 47 das 196 delegações previstas já garantiram hospedagem em Belém. O dado foi divulgado nesta sexta-feira (22), em meio à pressão internacional sobre os altos preços das acomodações na capital paraense. O problema gerou um entrave entre Brasil e ONU.

Segundo a organização do evento, 39 países fecharam hospedagens pela plataforma oficial do governo federal, enquanto outros oito firmaram acordos diretamente com hotéis — Egito, Espanha, Portugal, República Democrática do Congo, Singapura, Arábia Saudita, Japão e Noruega. Os demais aguardam negociações.

Impasse com a ONU

O tema foi discutido em reunião entre representantes do governo brasileiro, delegações estrangeiras e a ONU. De acordo com a Casa Civil e a Secretaria Extraordinária da COP30 (Secop), um dos pontos de maior tensão é o valor do subsídio diário repassado pela ONU aos países em desenvolvimento, atualmente fixado em US$ 140, montante que deve cobrir alimentação e hospedagem.

Com as diárias em Belém partindo de US$ 350 na plataforma oficial, países mais pobres solicitaram aumento no repasse. A ONU, por sua vez, pediu que o Brasil também arcasse com parte dos custos de hospedagem. A proposta foi rejeitada pelo governo.

“Já estamos arcando com custos significativos para a realização da COP. Não há possibilidade de subsidiar delegações estrangeiras”, afirmou a secretária executiva da Casa Civil, Miriam Belchior. Segundo ela, o Brasil sugeriu que a ONU ampliasse o valor pago, destacando que em outras cidades-sede, como São Paulo ou Rio de Janeiro, o subsídio necessário seria ainda maior.

Força-tarefa de negociações

O secretário extraordinário da COP30, Valter Correia, anunciou a criação de um grupo técnico para buscar contato direto com as delegações e identificar as principais dificuldades. “Há 33 mil quartos disponíveis e a ONU havia solicitado 24 mil. O desafio é adequar os preços ao poder aquisitivo das delegações”, explicou.

O governo informou que a maioria dos imóveis cadastrados em Belém pertence a particulares, fora da rede hoteleira tradicional, o que amplia a variação de preços. Foram feitos pedidos de investigação de práticas abusivas e tentativas de acordo com o setor. Em março, foi proposta a fixação de um teto equivalente ao valor praticado no período do Círio de Nazaré, mas a medida não avançou.

Pressão internacional continua

No mês passado, países já haviam enviado carta cobrando medidas do Brasil para reduzir os custos. A ONU mantém a cobrança por subsídios adicionais, enquanto o governo brasileiro afirma que busca alternativas sem uso de recursos públicos.

Belchior ressaltou que há esforços de negociação, mas reconheceu os limites de intervenção estatal: “Somos uma democracia, temos limites de atuação no setor privado. Estamos negociando no limite para que os preços possam baixar em Belém”.

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