O Ministério dos Transportes confirmou que o trecho central da BR-319 segue sem licença ambiental e sem previsão de obra. A admissão consta de documento oficial entregue ao Senado.
Apenas 20 km estão sendo pavimentados no Lote C, próximo a Manaus, além da reconstrução de duas pontes.
A informação consta de documento oficial apresentado pelo Ministério dos Transportes à Comissão de Infraestrutura do Senado. O trecho travado é justamente o mais aguardado da rodovia, que conecta Manaus a Porto Velho por via terrestre.
A parte em execução refere-se a 20 quilômetros no Lote C, além da reconstrução das pontes sobre os rios Curuçá e Autaz-Mirim, ambos em áreas próximas à capital amazonense.
Esses trechos, de menor impacto ambiental, receberam sinal verde para obras. Já o “trecho do meio” segue barrado por questões ambientais, exigência de diálogo com indígenas, quilombolas e estudos sobre cavernas, conforme descrito no relatório.
Apesar da paralisia no coração da rodovia, o governo apresenta a BR-319 como peça do Arco Norte, corredor logístico que inclui os portos de Itacoatiara, Santarém e Miritituba.
O Arco responde atualmente por 38% das exportações nacionais de grãos. A expectativa do Ministério é de que, com novos investimentos, esse percentual cresça ainda mais, consolidando o papel da Região Norte como eixo estratégico.
O impasse, no entanto, levanta questionamentos sobre o futuro da integração rodoviária da Amazônia, já que a rodovia segue incompleta há décadas e é constantemente alvo de disputa entre ambientalistas, parlamentares da bancada amazônica e diferentes áreas do governo federal.
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Marina Silva e os entraves ambientais
Nos bastidores do governo federal, o impasse sobre o trecho do meio da BR-319 tem provocado atritos entre setores desenvolvimentistas e a equipe do Ministério do Meio Ambiente.
A ministra Marina Silva tem reiterado que a obra não será liberada sem rigor técnico e respeito às comunidades afetadas, postura que gerou críticas de parlamentares do Amazonas.
Durante audiências e declarações recentes, deputados e senadores cobraram agilidade no processo e acusaram o ministério de “travar” o desenvolvimento regional.
Marina rebateu, afirmando que a pasta cumpre seu papel legal e que a estrada exige avaliação criteriosa devido à sua localização em área sensível da floresta amazônica.
O que o governo promete x o que admite
- O governo federal promete pavimentar toda a BR-319, ligando Manaus a Porto Velho por via terrestre. No entanto, admite que apenas 20 quilômetros estão em execução no Lote C e que o trecho central da rodovia permanece sem licença ambiental e sem previsão de obra.
- Anunciada como estratégica para integrar a Amazônia à malha rodoviária nacional, a BR-319 continua, na prática, com seu principal trecho, o mais isolado e ambientalmente sensível, totalmente parado.
- O discurso oficial aponta a rodovia como solução para reduzir o isolamento logístico da Zona Franca de Manaus e ampliar a competitividade da região. Mas o próprio Ministério dos Transportes reconhece que ainda é necessário realizar consultas a comunidades indígenas e quilombolas, além de superar entraves técnicos e ambientais.
- Embora o governo destaque investimentos públicos e privados na área de infraestrutura, o avanço da BR-319 depende de licenciamento que continua sem data definida, travando a principal promessa de integração rodoviária da Região Norte.
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