A síndrome de boreout, descrita pela primeira vez em 2007 pelos consultores suíços Peter Werder e Philippe Rothlin, tem ganhado espaço nos debates sobre saúde mental no ambiente de trabalho.
Ao contrário do burnout, causado por excesso de demandas e esgotamento, o boreout nasce da ausência de desafios, de reconhecimento e de propósito.
Trata-se de uma condição comum entre profissionais que não se sentem úteis ou valorizados. A rotina é marcada por tarefas repetitivas, pouco estimulantes, e pela falta de oportunidades reais de crescimento.
O resultado é um sofrimento emocional silencioso, que pode comprometer tanto o bem-estar individual quanto o desempenho das equipes.
De acordo com a pesquisa Gallup 2024, 7 em cada 10 brasileiros estão desengajados no trabalho. Além disso, 46% relatam estresse diário e 25% dizem sentir tristeza constante no ambiente profissional.
O cenário evidencia que o problema vai além de casos isolados: é estrutural e requer atenção das organizações.
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Sintomas são sutis
Embora frequentemente confundido com desinteresse ou “preguiça”, o boreout se manifesta de formas mais profundas: cansaço constante mesmo sem excesso de trabalho, apatia, perda de entusiasmo, procrastinação, isolamento e baixa produtividade.
Em muitos casos, o profissional se vê preso a tarefas automáticas, com tempo ocioso e sem conexão com o propósito do cargo.
Entre os comportamentos comuns estão o uso excessivo de redes sociais, alimentação por ansiedade e busca por distrações para “passar o tempo”.
Tudo isso ocorre, muitas vezes, sem que o próprio trabalhador compreenda a origem do desconforto.
Quando o tédio ultrapassa o limite
Sentir tédio eventualmente é natural e pode, inclusive, ser um motor para transformações. No entanto, quando esse estado se torna crônico, afeta diretamente a autoestima, a motivação e a saúde emocional.
Quem sente que está preso a funções sem sentido ou evita assumir novas tarefas por não enxergar utilidade nelas pode estar vivendo um quadro de boreout.
Entre os fatores que favorecem o surgimento da síndrome estão:
- Tarefas repetitivas e abaixo do potencial
- Ambiente sem estímulo ou reconhecimento
- Falta de perspectiva de crescimento
- Liderança despreparada
- Salários defasados e ausência de propósito
- Desalinhamento entre expectativa e realidade da função
Essas condições levam ao esvaziamento do engajamento e à sensação de inutilidade, criando um ciclo de frustração contínuo.
Ignorar o boreout no ambiente de trabalho é abrir espaço para a instalação de uma cultura de apatia. Os impactos incluem:
- Redução da produtividade
- Comprometimento do clima organizacional
- Aumento da rotatividade
- Danos à imagem da empresa diante de talentos do mercado
A síndrome também afeta a capacidade criativa e a iniciativa dos colaboradores, minando resultados a médio e longo prazo.
O papel do RH no combate ao boreout
Uma pesquisa da Opinion Box, realizada em 2022, revelou que 70% dos brasileiros acreditam que as empresas não adotam medidas eficazes para cuidar da saúde mental dos funcionários.
Além disso, 61% afirmaram que já tiveram a saúde mental prejudicada por estresse relacionado ao trabalho.
Para enfrentar a síndrome de boreout, o RH pode:
- Monitorar o engajamento com pesquisas internas
- Oferecer oportunidades de desenvolvimento e desafios reais
- Ajustar tarefas para evitar repetição e falta de propósito
- Estimular feedbacks regulares e reconhecimento
- Criar canais de escuta e apoio emocional
- Promover ações de bem-estar e saúde mental
Essas práticas ajudam a reverter a apatia no ambiente e a valorizar os profissionais.
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