quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Pará, sede da COP30, é líder em desmatamento na Amazônia há 18 anos consecutivos

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Há 18 anos, o Pará lidera o desmatamento na Amazônia, com uma área equivalente à Irlanda destruída.

Durante o COP30 Business Forum, realizado pela Amcham Brasil em São Paulo, na semana passada, o governador do Pará, Helder Barbalho, anunciou uma queda de 50% no desmatamento no estado, reduzindo a área desmatada de 4.400 km² em 2019 para 2.200 km² em 2024.

Os dados, acessíveis no portal Terra Brasilis, desenvolvido pelo INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), confirmam a redução apontada pelo governador.

Apesar dessa diminuição, o Pará segue sendo o estado com os maiores índices de desmatamento na Amazônia desde 2006, quando assumiu a liderança da devastação, antes ocupada por Mato Grosso.

Os números do Prodes, do INPE, mostram que, mesmo com a redução para 2.200 km² em 2024, o estado continua com as taxas mais altas de desmatamento na região.

Somando os dados de 2006 a 2024, o Pará desmatou um total de 68.279 km², uma área equivalente ao território da Irlanda, país europeu.

Isso pode ser visto no gráfico abaixo:

Prodes, INPE

Barbalho reiterou a importância de uma colaboração entre os estados, o governo federal e a comunidade internacional, destacando que a agenda ambiental precisa ser encarada como uma oportunidade para todos, e não apenas um fardo para os países em desenvolvimento.

“Os desafios ambientais devem ser enxergados como oportunidade. Estamos construindo uma agenda nacional junto ao Ministério do Meio Ambiente e lideranças do governo federal para que a COP30 seja não apenas de intenções, mas de implementações concretas”, afirmou.

O governador também refletiu sobre o passado recente do estado, que enfrentou um grande desafio relacionado à floresta.

“O Pará, há cinco anos, era o retrato do conflito sobre a floresta. Agora, com planejamento e uma mudança no uso do solo, estamos implementando uma estratégia transversal de preservação e desenvolvimento. Isso nos permite mostrar que é possível, sim, alcançar um desenvolvimento sustentável sem abrir mão da preservação ambiental”, disse.

Em relação à transição do uso do solo, o governador enfatizou que o modelo adotado propõe balancear o crescimento econômico com a preservação da floresta.

“Estamos propondo um modelo de transição de uso do solo que permita o desenvolvimento sustentável, agregando valor à floresta viva. Acreditamos que esse é o caminho para um futuro melhor para todos”, afirmou Barbalho, ressaltando a importância da integridade ambiental para o bem-estar econômico e social da região.

Barbalho também se referiu ao papel do Brasil e dos países em desenvolvimento na agenda ambiental global.

“Não podemos deixar que apenas os países em desenvolvimento carreguem a responsabilidade pelas mudanças climáticas. Todos os signatários do Acordo de Paris devem compartilhar essa carga. Balancear esse processo é um caminho absolutamente decisivo para garantir um futuro mais sustentável para o planeta”, declarou.

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