O homem que promete “implodir a República” nesta sexta-feira (25) fez carreira como “youtuber”, se elegeu pelo Distrito Federal com mais de 65 mil votos fazendo campanha direto de Miami (EUA), onde morava, e responde a vários processos por crimes envolvendo esquemas de pirâmides financeira.
Com esse currículo, o deputado federal Luís Miranda (DEM/DF) vai depor hoje (25), ao lado do irmão dele Luís Ricardo Miranda, na Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid-19.
Aliado de primeira hora do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o deputado federal revelou que no dia 20 de março, um sábado à tarde, na residência do presidente, o Palácio do Alvorada, informou que seu irmão Luiz Ricardo, o chefe da Divisão de Importação do Ministério da Saúde, estava sofrendo pressões indevidas para acelerar a compra de 20 milhões de doses da vacina Covaxin, produzida pela farmacêutica indiana Bharat Biotech.
“Informei ao presidente. Ele disse que iria acionar a Polícia Federal, mas nada aconteceu e o contrato foi firmado entre o Ministério e a Precisa Medicamentos [empresa brasileira que intermediou o negócio]”, afirmou o deputado Luís Miranda. O negócio com a Bharat Biotech/Precisa Medicamentos custaria aos cofres públicos R$ 1,6 bilhão.
História
Luís Miranda ficou famoso na internet por gravar vídeos e publicar no YouTube, mostrando que a vida do cidadão norte-americano em Miami era muito melhor que a do cidadão brasileiro, que os EUA garantem uma qualidade melhor que o Brasil e que, por morar no local, poderia ajudar brasileiros a conseguir visto de entrada e até o chamado Green Card, passaporte que garante o direito de trabalhar nos EUA.
Luís Miranda também oferecia neste vídeos oportunidades de investimentos que seriam viabilizados por ele com operadores de Miami. Esses investimentos deram prejuízos a várias pessoas que confiaram em Luís Miranda, que virou alvo de uma reportagem grande do programa Fantástico, da Rede Globo.
A bancada governista no Congresso, tanto no Senado quanto na Câmara, avalia que o movimento dos irmãos Miranda visa a eleição do próximo ano, quando o deputado terá de renovar o mandato, mas já sem a visibilidade alcançada em 2018 e com as denúncias de fraudes financeiras em discussão. Essa visão, inclusive, será explorada pelos senadores governistas que atuam na CPI: Marcos Rogério (DEM/RO), Jorginho Melo (PL/SC), Fernando Bezerra (MDB/PE) e Eduardo Girão (Podemos/CE).
Texto: Gerson Severo Dantas
Leia Mais: