A Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid-19 transferiu para a próxima semana o depoimento do sócio da Precisa Medicamentos, Francisco Maximiano, responsável pelas negociações que levaram o Ministério da Saúde a comprar a vacina Covaxin, produzido pela farmacêutica indiana Bharat Biotech. A oitiva está prevista para acontecer na quinta-feira (1º/6) ou sexta-feira (2).
Os advogados do empresário informaram que Maximiano chegou esta semana da Índia e que precisa cumprir quarentena domiciliar.
O negócio intermediado pela Precisa Medicamentos, fechado em 25 de fevereiro deste ano, envolve a compra de 20 milhões de doses ao preço de R$ 1,6 bilhão. A CPI investiga como foi a intermediação realizada pela empresa, que cobrou um preço 1.000% superior ao que foi oferecido diretamente pela própria Bharat Biotech seis meses antes.
O valor da dose também chama atenção dos investigadores: US$ 15,00, o mais caro pago pelo Ministério da Saúde por uma dose de vacina. A dose da vacina da Pfizer, por exemplo, saiu, nos contratos firmados neste ano, por US$ 10,00. Nos contratos oferecidos no ano passado a Pfizer oferecia preços mais em conta.
Para o relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL), causa estranheza aos senadores a pressa com que este negócio foi fechado, uma vez que a Covaxin não tinha aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e, inclusive, a planta industrial da Bharat Biotech não recebeu a certificação de boas práticas da agência brasileira.
Sobre essa pressa, Renan lembrou que um servidor do Ministério da Saúde prestou depoimento no Ministério Público Federal alertando para pressões que recebeu do tenente-coronel Alex Lial Marinho, que respondia por uma diretoria técnica do ministério.
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