quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Críticas a Bolsonaro, Sputnik e cloroquina dominam depoimento na CPI

Em mais de seis horas de depoimento, o presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres, falou sobre diversos temas. A consistência na fala foi saudada pelos senadores.
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O depoimento do presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antônio Barra Torres, durou, nesta terça-feira (11), mais de seis horas e teve como destaque as divergências apresentadas por ele em relação à postura do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre as vacinas usadas no país, como a CoronaVac, o uso de cloroquina no chamado tratamento precoce, promoção de aglomerações e o uso de máscara.

Em todos estes temas, Barra Torres disse que a postura de Bolsonaro diverge da dele e da Anvisa. A postura do presidente da Anvisa foi bem diversa da adotada pelo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, que evitou o quanto pode entrar em “bolas divididas” com Bolsonaro e, por conta disso, será chamado novamente a depor na CPI.

Barra Torres também explicou que a decisão da Anvisa de não autorizar a importação da vacina russa Sputnik V se deve a critérios técnicos, pois a equipe da agência encontrou ao menos 14 pontos de dúvidas que, até hoje, não foram dirimidas pela produtora da vacina, o Instituto Gamaleya.

“O licenciamento dessa vacina está parado, mas no momento em que os documentos chegarem será retomado”, disse Barra Torres.

Polêmica

O momento de maior tensão do depoimento aconteceu quando o senador Fabiano Contarato (Rede-ES) questionou Barra Torres, o perguntando o porquê de não impedir a venda do chamado ‘Kit Covid’ nas farmácias brasileiras. O senador disse que não fiscalizar essa venda era uma omissão da Agência. Barra Torres diz que essa venda se dá com receituário prescrito por um médico e que ele está sujeito a fiscalização dos conselhos e não da Anvisa.

Sobre o uso da cloroquina e ivermectina, outro questionamento de Contarato, Barra Torres disse que jamais usou estes medicamentos porque não há comprovação da eficácia deles para o tratamento da Covid.

Ainda respondendo a Contarato, Barra Torres voltou a dizer que se arrependeu de participar de uma aglomeração ao lado do presidente Jair Bolsonaro em meio à pandemia. “Já falei que me arrependi deste evento e, depois, nada igual voltou a acontecer”, concluiu o presidente da Anvisa.

Wanjgarten fala amanhã

A CPI volta a se reunir nesta quarta-feira (12), às 9h30 (horário de Brasília) para ouvir o ex-secretário de Comunicação da Presidência da República Fábio Wanjgarten, que em entrevista a revista VEJA disse que o Ministério da Saúde não comprou vacinas da Pfizer/Biontech por “incompetência e ineficiência’ do então ministro Eduardo Pazuello. Esse depoimento, conforme o vice presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede/AP), em entrevista a mesma revista, será o mais impactante da semana.

Texto: Gerson Severo Dantas

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