Em meio à visita do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) a Manaus para a solenidade de inauguração da 2ª etapa do Centro de Convenções do Amazonas Vasco Vasques, outro evento que consta na agenda é a entrega simbólica de cestas básicas destinadas aos indígenas, quilombolas e pescadores. A iniciativa foi criticada por representantes indígenas.
A ação é considerada uma “jogada”, pelo antropólogo Ademir Ramos. De acordo com ele, a vinda do presidente a Manaus é extremamente estranha já que, segundo Ademir, Bolsonaro vem para inauguração de um anexo, “distribuir racho” e receber título de “Cidadão do Amazonas”.
“Essa visita do Bolsonaro aqui é bizarra mesmo. O presidente da República vem aqui no Amazonas no momento em que estamos vivendo a pandemia, no momento em que o governo dele sofre críticas internacionais sobre a devastação da Amazônia, então o que ele vem fazer aqui? É bom ficarmos bem atentos aos movimentos dele”, afirmou Ademir.
Ainda de acordo com o antropólogo, a distribuição de cestas básicas faz parte da jogada de populismo de Bolsonaro diante de representantes internacionais.
As cestas de alimentação foram doadas pelo Ministério da Cidadania e a justificativa é de fornecer assistência. “A ação tem o intuito de dar apoio à segurança alimentar de indígenas, quilombolas e pescadores do estado do Amazonas. Cerca de 121 mil famílias serão beneficiadas com mais de 271,5 mil cestas”, diz o comunicado sucinto do governo do Amazonas.
A enfermeira indígena Vania Ortega afirmou ser nula a atuação do Governo Federal em relação aos grupos que serão beneficados, principalmente ao longo do último ano, durante o enfrentamento da Covid-19.
“De antemão, é lamentável. Isso é um silenciamento para a gente, essa cesta básica dele, por que a pandemia inteira ele vetou medidas (MPs) que garantiam não só a cesta básica para nossas comunidades e agora vem fazer cena aqui de entregar cestas? Sendo que ele ataca as políticas [dos indígenas] e tem desconstruído as poucas Leis que existem para proteção dos nossos direitos. É lamentável essa atitude”, disse.
A reportagem entrou em contato com a Fundação Estadual do Índio que afirmou não ter nada a ver com a entrega das cestas. Já a Fundação Nacional do Índio não retornou até o fechamento desta matéria.
Texto: Milena Soares
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