quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Militares da Saúde ignoraram pedido de ajuda da White Martins em Manaus

Em 11 de janeiro o MS pediu que a empresa formalizasse o pedido de socorro para o transporte de oxigênio. Dois coronéis tomaram conhecimento do caso, mas nada fizeram
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investigado

A empresa White Martins solicitou “apoio logístico imediato” ao Ministério da Saúde (MS), três dias antes dos hospitais em Manaus entrarem em colapso pela falta de oxigênio. Em um e-mail divulgado pelo jornal Folha de São Paulo, foi pedido o deslocamento de 350 cilindros de oxigênio gasoso, 28 tanques de oxigênio líquido, 7 isotanques e 11 carretas.

A mensagem, segundo a reportagem, foi encaminhada a dois representantes da pasta na tarde de 11 de janeiro às 14h45. Mais cedo, naquele mesmo dia, em Manaus, a White Martins, a convite do ministro Eduardo Pazuello, se reuniu com a comitiva do MS que realizava vistoria nos hospitais e averiguava as ações de combate à Covid-19 no estado.

E-mail foi formalidade

Durante o encontro, o diretor de Programa da Secretaria-Executiva do MS, coronel do Exército Nivaldo Alves de Moura Filho, pediu a empresa que o pedido de ajuda para o transporte do insumo fosse formalizado pelo e-mail, uma vez que o aumento anormal do consumo do oxigênio medicinal fora o tema central do encontro.

Com isso, o diretor de Desenvolvimento de Negócios Medicinais da White Martins, Lourival Nunes, enviou a mensagem listando os principais produtos consumidos. Dois itens já estavam sendo tratados com coordenador-geral de Logística de Insumos Estratégicos para Saúde da pasta, o tenente-coronel Alex Lial Marinho.

Produtos já tinham rota

Os produtos tinham inclusive datas definidas para o envio a Manaus. Os cilindros de oxigênio vinham de Campinas, Belo Horizonte e São Paulo e pesavam 53,5 toneladas. Todos deveriam chegar entre os dias 12 e 13 de janeiro, mas vieram somente no dia 15.

Os isotanques, por sua vez, também haviam sido requisitados com antecedência. Estes precisariam ser deslocados vazios para Belém onde seriam recarregados e transportados novamente para Manaus, conformes as tabelas da White Martins.

Ministério da Saúde (MS) tem apresentado com datas. O maior deles – e esse envolvendo a Justiça – é a data em que o ministério tomou conhecimento sobre o então iminente colapso de oxigênio no Amazonas. Ao Supremo Tribunal Federal (STF), o Ministério da Saúde tem apresentado várias datas diferentes, demonstrando imprecisão sobre um assunto tão sério, que custou várias vidas no Amazonas.

Falas convergem

Por mais de uma vez o ministro Eduardo Pazuello e outros representantes do Ministério da Saúde entram em contradição sobre os comunicados sobre a falta de oxigênio em Manaus. Na última declaração sobre o assunto ao Supremo Tribunal Federal (STF) o coronel e secretário-executivo da pasta, informou que o ministério só tomou conhecimento do problema no dia 17 de janeiro.

Antes disso, o Pazuello, chegou a afirmar durante uma entrevista coletiva que desde 8 de janeiro já havia tomado ciência sobre o assunto. Nessa mesma data a própria White Martins havia enviado uma mensagem eletrônica já informando sobre o alto consumo de oxigênio no Amazonas.

Entretanto, o ministro, ao ser interrogado pelo STF, mudou a fala e disse ter sido comunicado somente no dia 10 de janeiro. Dias antes do colapso ele esteve em Manaus acompanhando o Comitê de Crise da Secretária Estadual de Saúde (SES-AM).

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