O Ministério Público Federal (MPF) vai abrir uma investigação sobre os efeitos nocivos do mercúrio à população de indígenas Yanomami no Amazonas. A decisão vem três anos após a divulgação de um estudo da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz), que identificou mercúrio em 56% das mulheres e crianças indígenas.
A substância tóxica, utilizada há décadas na atividade garimpeira, é apontada como causadora de graves danos à saúde e ao meio ambiente.
Entre os riscos associados à exposição ao mercúrio, estão a perda de visão, problemas de mobilidade e, em casos de gestantes, o risco de aborto, evidenciando uma ameaça silenciosa que paira sobre as comunidades ribeirinhas do Amazonas.
Na decisão, o órgão ministerial quer saber se o uso de mercúrio na extração de minério estão compatíveis com as atividades autorizadas pelo governo.
O MPF intimou também o Ministério de Minas e Energia questionando as políticas públicas desenvolvidas para substituir ou reduzir a utilização de mercúrio no processo de mineração.
O mercúrio utilizado pelos garimpeiros também já foi identificado em peixes da região, que são consumidos pelos povos indígenas do Amazonas.
Segundo a pesquisa da Fiocruz, a quantidade de mercúrio encontrada nos peixes é 21,5% maior que a recomendada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
De acordo com o MPF, o objetivo é “elucidar as responsabilidades pelas agressões à saúde pública e ao meio ambiente, promovendo as devidas reparações”.
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