O deputados federais do Amazonas bem que tentaram, mas não conseguiram evitar que a operação “Draga Zero” destruísse mais de 300 balsas de garimpo que estavam atuando de forma ilegal no rio Madeira, no Amazonas.
Na terça-feira (29), após circularem as primeiras informações a respeito da ação na região, o deputado Silas Câmara (Republicanos-AM) foi o primeiro a criticar a operação. Ele fez um apelo pedindo o fim da destruição das balsas e chamou a medida de “aberração”.
“Hoje, sem nenhum aviso e nenhum diálogo, estão colocando fogo naquilo que não é apenas a ferramenta de trabalho de homens e mulheres honestas, mas para muitos deles é também o local de moradia”, disse ele, no Plenário da Câmara dos Deputados. “Faço um apelo ao governo federal que mande cessar imediatamente essa aberração e vá dialogar com que de fato precisa conversar”, concluiu.
No dia seguinte, foi a vez do deputado Átila Lins (PSD-AM) se pronunciar no plenário. O parlamentar pediu, ao governo federal, especialmente à ministra Marina Silva (Meio Ambiente), para que a operação fosse cessada. As medidas estariam atingindo, segundo ele, famílias que precisam sobreviver.
“Não adianta, na minha avaliação, o Ibama tomar essa atitude coercitiva sem buscar o entendimento, sem colocar as pessoas na mesa de negociação e encontrar uma fórmula que seja capaz de que as pessoas que vivem dessa atividade possam fazê-lo com decência, dignidade para sustentar suas famílias. Quero lavrar aqui o meu protesto contra essa operação que não dignifica, senhor presidente, a família desses municípios do Amazonas. Quero, portanto, que vossa excelência (o presidente da sessão) na Voz do Brasil para que o presidente da República e os ministros encarregados da área possam suspender essa operação que está causando muitos transtornos à população daquela região”, disse Lins.
A operação, contudo, prosseguiu.
De acordo com a Polícia Federal (PF), agentes da corporação com o apoio do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) percorreram 1.500 quilômetros no rio Madeira, passando pelos municípios amazonenses de Autazes, Nova Olinda do Norte, Borba, Novo Aripuanã e Manicoré, com o objetivo de combater os crimes de garimpo ilegal cometidos na localidade.




Ao todo, 302 balsas de garimpo ilegal foram inutilizadas.
Segundo a PF, a prática da atividade garimpeira na região, além de causar danos ao meio ambiente e à saúde pública em virtude da contaminação do rio por mercúrio e cianeto, também interfere na cultura de povos tradicionais, uma vez que áreas indígenas chegaram a ser invadidas pelos criminosos, na região de Manicoré.
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