O Sindicato dos Petroleiros do Amazonas (Sindipetro-AM) recebeu a notícia da desistência da Petrobras de vender o Polo de Urucu com “alegria e entusiasmo”, segundo o coordenador da entidade, Marcus Ribeiro.
Agora que foi superada a questão da exploração e produção, diz Ribeiro, a empresa estatal deverá se voltar ao setor de abastecimento, citando a problemática dos preços dos combustíveis na região Norte.
“Nós estamos vendo na prática a mudança como consequência da mudança de governo, como consequência uma mudança da gestão da Petrobras”, destacou ele sobre a desistência da venda de Urucu.
“A gente precisa ter a compreensão da importância da Petrobras para a região Norte, principalmente no Amazonas. O movimento vem com a campanha intensa para fazer com que a Petrobras olhe para o Norte. E esse anúncio da não-venda do Polo de Urucu demonstra isso”, acrescentou o sindicalista.
Segundo Ribeiro, Urucu serve como um modelo padrão de um “compromisso que a Petrobras tem com o meu ambiente e com a nossa região”.
“O que nós precisamos agora é – dentro dessa perspectiva que nós temos agora de um governo, de uma gestão da Petrobras que dialoga com o movimento sindical – traçar projetos que venham fortalecer a presença dessa grande estatal na nossa região. Precisamos fazer com que a Petrobras venha olhar para a situação dos preços combustíveis na nossa região”, destacou.
“Eu falo isso em uma perspectiva para que ela se volte para o setor de abastecimento na região Norte. Infelizmente, a refinaria (Ream) foi vendida no ano passado e a Petrobras, na semana passada, saiu totalmente, entregando o controle para o Grupo Atem. Mas, mesmo assim, a gente quer que a Petrobras venha permanecer no setor de abastecimento. Então, a gente vai continuar o diálogo com o governo federal, o diálogo com a gestão da Petrobras para ver como ela vai atuar no setor de abastecimento”, acrescentou.
“Temos aí um lado positivo que é em relação à exploração e produção do petróleo, com Urucu, e agora vamos focar no abastecimento aqui no Estado e na nossa região”, finalizou Marcus Ribeiro.
Desistência da venda do Polo de Urucu
O anúncio do cancelamento do processo de venda do Polo de Urucu foi feito pela Petrobras na segunda-feira (4).
A Província Petrolífera de Urucu tem a maior reserva provada terrestre de petróleo e gás natural do Brasil e fica no município de Coari, no Amazonas, a 650 quilômetro da capital Manaus.
Além de Urucu, a Petrobras desistiu de vender ainda os polos Bahia Terra, do Campo de Manati e de sua subsidiária na Argentina, a Petrobras Operaciones.
De acordo com a empresa, a decisão se deve à aderência dos quatro ativos ao portifólio da empresa, e ao seu perfil de rentabilidade.
A empresa destacou em nota que seus objetivos na área de exploração e produção de petróleo e gás são maximizar o valor do portfólio com foco em ativos rentáveis, repor a reservas de óleo e gás, inclusive com a exploração de novas fronteiras, aumentar a oferta de gás natural e promover a descarbonização das operações.
Os polos de Urucu e Bahia Terra são pontos de exploração de petróleo e gás natural em terra, na bacia do Solimões no Amazonas e no recôncavo baiano. Já o Campo Manati fica em alto mar, na Bacia de Camamu, na Bahia.
Anúncio da venda e desistência da Eneva de comprar
Negociações com a Eneva
O anúncio da venda do polo ocorreu em junho de 2020.
No início de 2021, a empresa Eneva venceu a disputa aberta por Urucu, superando a 3R Petroleum, que havia ofertado inicialmente cerca de US$ 1 bilhão pela concessão. A oferta foi de cerca de US$ 600 milhões.
Em janeiro de 2022, contudo, a Eneva anunciou desistência da compra.
Estrutura do Polo de Urucu
Descoberta em 1986, a Província Petrolífera de Urucu está próxima ao rio de mesmo nome, em Coari.

Segundo a Petrobras, a província produz, diariamente, em média, 40 mil barris de óleo de ótima qualidade, incluindo 1.200 toneladas de GLP (gás de cozinha).
A província tem, ao todo, sete campos de exploração:
- Araracanga
- Arara Azul
- Carapanaúba
- Cupiúba
- Leste do Urucu
- Rio Urucu
- e Sudoeste Urucu
A empresa diz que, apesar dos desafios de logística e operação na Amazônia, o custo de extração de petróleo e gás natural de Urucu está entre os menores do Brasil. “Além de lucrativa, a província é fundamental para a região, movimentando a economia local”, ressalta a Petrobras.

O polo possui quatro unidades de processamento de gás natural (UPGNs) e estações de tratamento e compressão, tanques de petróleo e esferas de GLP. Os campos de exploração de petróleo e gás possuem ainda aeroporto, centro médico e bases de apoio logístico.
Urucu conta com um conjunto de dutos que possibilitam o escoamento da produção. Desde 2009, o gasoduto Urucu-Coari-Manaus opera interligando a província petrolífera à capital do Amazonas, totalizando 663 quilômetros de extensão. O gasoduto tem capacidade de transportar até 5,5 milhões de metros cúbicos por dia de gás natural, desde Urucu até Manaus.
Atualmente, o polo emprega cerca de 1,2 mil trabalhadores.
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