O Sindicato dos Petroleiros do Amazonas vai usar a exploração de petróleo em Urucu para defender a atuação da Petrobras na foz do rio Amazonas. A entidade participa, na próxima semana, de uma audiência pública em Brasília (DF) para tratar do caso que opõem setores do governo federal.
“A Petrobras tem expertise e não há registro de ocorrência de vazamento em perfuração de águas profundas por parte da empresa, que tem muito mais compromisso com o meio ambiente do que uma empresa estrangeira”, defendeu o presidente do SindPetro, Marcus Ribeiro
Ribeiro lembra que a Petrobras explora gás e petróleo em Urucu, em Coari, há trinta anos e não há registro de desastres ambientais. “É um exemplo, no meio da floresta, sem histórico de problemas gerados para a fauna, flora ou as águas do rio Amazonas”, completou.
Para o sindicalista, o histórico da empresa recomenda que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) conceda a licença ambiental.
Poço na foz do Amazonas divide governo
O presidente Luís Inácio Lula da Silva terá a missão espinhosa de arbitrar a disputa entre ambientalistas, representados pela ministra Marina Silva, e desenvolvimentistas do Ministério das Minas e Energia pela construção de um poço para pesquisa na foz do rio Amazonas.
Do Japão, onde participou da cúpula do G7, Lula disse que não vê problemas, mas na volta ao comando do País tomaria pé da situação para fazer uma manifestação oficial sobre o tema.
Marina vê problemas antigos
Marina Silva declarou que vê na exploração de petróleo na foz do Amazonas os mesmos riscos que via na usina hidrelétrica de Belo Monte (PA), cuja decisão de construção causou a saída dela do governo Lula, em 2007.
Ex-ministro da Defesa e ex-presidente da Câmara Federal, Aldo Rebelo defendeu a exploração do petróleo na região da foz do Amazonas e diz que o Ibama se baseou num “estudo com dados falsos” feito pelo Greenpeace para negar o licenciamento ambiental.
No Amazonas, o escritório do Greenpeace reforçou o estudo que descobriu, em 2016, uma longa formação de corais na foz do Amazonas e cuja situação, ainda não plenamente conhecida, pode ser afetada pela exploração da Petrobras.
“Estamos chamando a atenção para essa ameaça desde 2017, quando a gigante francesa Total tentou inaugurar a exploração de petróleo na foz do Amazonas sem o devido conhecimento ou garantias de segurança socioambiental para isso. Em resposta, foram mobilizados esforços científicos para pesquisar e mapear o Grande Sistema de Recifes da Amazônia”, relembra o porta-voz da campanha de Oceanos do Greenpeace Marcelo Laterman, rebatendo Aldo.
De acordo com o ambientalista, a causa dos recifes de corais da Amazônia contou com o apoio de organizações da sociedade civil, de representantes das comunidades do território e de mais de 2 milhões de pessoas ao redor do mundo, que receberam com entusiasmo a decisão do Ibama de negar a licença ambiental para a Petrobras.
Marcelo Laterman também avalia que a decisão do Ibama foi uma vitória do bom senso, pois pautada em evidências científicas e no princípio da precaução. Destaca que é ainda uma oportunidade para que o país e a própria Petrobras se posicionem do lado certo e estratégico da história.
“Por uma transição energética justa, que valorize o que temos de diferencial: nossa biodiversidade, nosso povo e o enorme potencial em fontes limpas e renováveis”, defende o porta-voz do Greenpeace Brasil.
Marcus Ribeiro, do Sindpetro, ainda destaca na defesa que faz dessa exploração que o poço cuja licença foi pedida é para pesquisa e não para exploração industrial. Destaca ainda que nem fica na foz do Amazonas, pois está a mais de 500 quilômetros do local em que o rio encontra o oceano Atlantico. “Então, é melhor a Petrobra se o Brasil explorar essa riqueza do que deixar para empresas estrangeiras”, finalizou o sindicalista.
Um ex-funcionário da Petrobras e que é do Amapá, ouvido pelo RealTime1 em off, diz que essa é uma discussão quase inútil, pois no passado a Petrobras já perfurou poços de exploração na região e nunca houve um desastre ambiental.
Ele também ressalta que o respeito ao meio ambiente é uma marca da empresa, que explora poços de petróleo muito mais sensíveis, como os do pré-sal, sem registro de problemas.
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