domingo, 21 de julho de 2024

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PETRÓLEO

Petrobras desiste de vender o Polo de Urucu

Empresa informou que considera polo rentável e que pretende aumentar a oferta de gás natural para promover a descarbonização.
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Província petrolífera fica localizada em Coari (divulgação)

A Petrobras cancelou, nesta segunda-feira (4), a venda do Polo de Urucu, onde fica a maior reserva provada terrestre de petróleo e gás natural do Brasil. A Província Petrolífera de Urucu fica no município de Coari, no Amazonas, a 650 quilômetro da capital Manaus.

Além de Urucu, a Petrobras desistiu de vender ainda os polos Bahia Terra, do Campo de Manati e de sua subsidiária na Argentina, a Petrobras Operaciones.

De acordo com a empresa, a decisão se deve à aderência dos quatro ativos ao portifólio da empresa, e ao seu perfil de rentabilidade.

A empresa destacou em nota que seus objetivos na área de exploração e produção de petróleo e gás são maximizar o valor do portfólio com foco em ativos rentáveis, repor a reservas de óleo e gás, inclusive com a exploração de novas fronteiras, aumentar a oferta de gás natural e promover a descarbonização das operações.

Os polos de Urucu e Bahia Terra são pontos de exploração de petróleo e gás natural em terra, na bacia do Solimões no Amazonas e no recôncavo baiano. Já o Campo Manati fica em alto mar, na Bacia de Camamu, na Bahia.

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Vendas mantidas

Por outro lado, a empresa vai manter a vendas das suas parcelas de participação de 20% nas termoelétricas Termocabo e Suape II, e de 18,8% na Usina de produção de gás Araucária.

Revisão do ‘desinvestimento’

Desde a mudança na gestão da empresa no começo do ano, a Petrobras passou a rever algumas medidas de desinvestimento tomadas pela administração anterior que ainda não tinham sido atingido a etapa de assinatura dos contratos.

De acordo com a nota da companhia, os cancelamentos anunciados nesta segunda-feira resultam desse processo de gestão ativa do portfólio, por meio do qual os diversos ativos são constantemente avaliados em linha com os direcionadores estratégicos mais atuais da companhia.

Sobre o Polo Urucu

Descoberta em 1986, a Província Petrolífera de Urucu está próxima ao rio de mesmo nome, em Coari.

Segundo a Petrobras, a província produz, diariamente, em média, 40 mil barris de óleo de ótima qualidade, incluindo 1.200 toneladas de GLP (gás de cozinha).

A província tem, ao todo, sete campos de exploração:

  • Araracanga
  • Arara Azul
  • Carapanaúba
  • Cupiúba
  • Leste do Urucu
  • Rio Urucu
  • e Sudoeste Urucu

A empresa diz que, apesar dos desafios de logística e operação na Amazônia, o custo de extração de petróleo e gás natural de Urucu está entre os menores do Brasil. “Além de lucrativa, a província é fundamental para a região, movimentando a economia local”, ressalta a Petrobras.

Empresa informou que considera polo rentável e que pretende aumentar a oferta de gás natural para promover a descarbonização.
Uma das unidades de processamento de gás natural (UPGN) de Urucu. Foto: Petrobras

O polo possui quatro unidades de processamento de gás natural (UPGNs) e estações de tratamento e compressão, tanques de petróleo e esferas de GLP. Os campos de exploração de petróleo e gás possuem ainda aeroporto, centro médico e bases de apoio logístico.

Urucu conta com um conjunto de dutos que possibilitam o escoamento da produção. Desde 2009, o gasoduto Urucu-Coari-Manaus opera interligando a província petrolífera à capital do Amazonas, totalizando 663 quilômetros de extensão. O gasoduto tem capacidade de transportar até 5,5 milhões de metros cúbicos por dia de gás natural, desde Urucu até Manaus.

Negociações com a Eneva

A empresa Eneva, que opera o Campo do Azulão, em Silves (AM), chegou a negociar a compra do Polo Urucu, mas não foi adiante.

O anúncio da venda do polo ocorreu em junho de 2020.

No início de 2021, a Eneva venceu a disputa aberta por Urucu, superando a 3R Petroleum, que havia ofertado inicialmente cerca de US$ 1 bilhão pela concessão. A oferta foi de cerca de US$ 600 milhões.

Durante a licitação, a 3R Petroleum retirou a proposta, reduzindo a oferta e a Petrobras deu sequência às negociações com a Eneva. Os valores ofertados na fase de negociações exclusivas não foram publicados.

Em janeiro de 2022, contudo, a Eneva anunciou desistência da compra. “Apesar dos esforços envidados pelas partes durante esse processo, ao longo da negociação, não foi possível convergir para um acordo. Com isso, as partes optaram por encerrar as negociações em curso, sem penalidades para nenhuma delas”, informou a companhia à época.

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