A decisão do Ministério da Defesa e da Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental de proibir a navegação noturna em rios da Amazônia foi criticada pelo deputado federal Sidney Leite (PSD), nesta quarta-feira (23), em Brasília, por aumentar o custo logístico na região e assim causar mais inflação no Estado.
“Hoje o Ministério da Defesa e a Marinha do Brasil editaram a portaria que disciplina a recomendação da utilização da navegação noturna no rio Amazonas, esse rio que chamam de hidrovia. Mas para que ele seja efetivamente uma hidrovia o governo federal fazer sua lição de casa“, disse Sidney Leite.
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Na avaliação do parlamentar, que tem forte base política no interior, o governo está na “contra-mão do rio” porque a proibição representa aumento do custo de logística e consequentemente impacta na inflação para os amazonenses
O parlamentar pediu comprometimento do governo, para que os recursos sejam garantidos na Lei Orçamentária, permitindo assim que a navegabilidade nos rios Madeira e Amazonas seja mantida pelo Ministério dos Transportes ou Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).
“A região Norte não pode ser ainda mais punida. Precisamos ter o mínimo de garantia da navegabilidade e do transporte, haja visto que o Amazonas é aquele mesmo estado que em 2020 e 21 no auge da pandemia perdeu milhares de pessoas por falta de oxigênio devido o seu isolamento“, lembrou
Sidney aproveitou para pedir a conclusão da BR 319 que há anos é prometida mas não consegue ser concluída por entraves burocráticos, tornando o Amazonas ainda mais dependente da navegação, seja para o escoamento dos produtos da Zona Franca seja para o abastecimento de alimentos da capital.
Navegação noturna: Deputado quer ouvir Marinha
O deputado estadual Comandante Dan (Podemos) propôs a realização de uma audiência para ouvir a Marinha do Brasil sobre a portaria com as restrições à navegação noturna em rios do Estado do Amazonas.
A proibição da navegação noturna provocou uma série de protestos e já há inclusive pedido de revogação. Dan Câmara defende que a Marinha é a autoridade técnica e legalmente qualificada para regular a navegação em todos os momentos do ano.
“Não me sinto competente para contestar a decisão da Marinha, na verdade quero que ela possa nos alertar sobre o real estado da seca dos rios e se alguma coisa pode ser feita para minorar o problema” declarou o parlamentar.
O Realtime1 tentou ouvir o Sindicato das Empresas de Navegação do Amazonas (Sindarma) sobre os impactos econômicos da medida, mas até o momento não obteve resposta. Assim que se pronunciar este texto será atualizado.
Vazante do rio Negro
Ao contrário das calhas dos rios Amazonas e Madeira, que já estão chegando aos níveis críticos de vazante, o rio Negro segue descendo de maneira considerada regular, conforme medição feita no cais do Porto Flutuante de Manaus.
Nesta quarta-feira (23), o nível do Negro em relação ao mar estava em 24m83, dois metros e vinte e seis centímetros mais baixo do nível registrado no mesmo dia do ano passado (27m09).
Em relação a 2010, quando foi registrada a maior seca da história do rio Negro, o nível de hoje está exatamente um metro acima do nível de 23 de agosto de 2010 (23m83). Naquele ano, o menor nível registrado foi de 13m63.