Mulheres que sofreram violência sexual apresentam maior risco de desenvolver doenças cardiovasculares ao longo da vida, segundo estudo divulgado por pesquisadores e repercutido pela Agência Brasil. A pesquisa identificou associação entre o trauma da violência e o aumento de problemas como infarto, hipertensão e arritmias.
De acordo com o levantamento, o impacto não se limita ao campo psicológico. O estresse prolongado causado pela violência pode desencadear alterações hormonais e inflamatórias no organismo, afetando diretamente o sistema cardiovascular. Esse processo pode se manifestar anos após o episódio de violência.
Os pesquisadores destacam que mulheres vítimas desse tipo de agressão tendem a apresentar maior incidência de fatores de risco, como ansiedade, depressão, distúrbios do sono e hábitos prejudiciais à saúde, incluindo sedentarismo e tabagismo. Esses elementos contribuem para o agravamento do quadro clínico.
Especialistas ouvidos pela Agência Brasil reforçam a importância de integrar o atendimento às vítimas de violência com políticas de saúde pública. O acompanhamento deve ir além do suporte psicológico imediato, incluindo monitoramento contínuo da saúde física.
O estudo também aponta a necessidade de ampliar o acesso a serviços especializados e fortalecer políticas de prevenção à violência contra a mulher. Para os pesquisadores, a identificação precoce dos riscos pode ajudar na redução de complicações futuras.
No Brasil, a violência contra a mulher permanece como um problema estrutural, com impactos sociais e de saúde pública. A relação com doenças cardiovasculares amplia a dimensão do problema e reforça a necessidade de ações intersetoriais.
A divulgação dos dados contribui para o avanço do debate sobre os efeitos de longo prazo da violência e destaca a importância de políticas públicas integradas que considerem tanto os aspectos sociais quanto os de saúde.