quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Violência é desafio para 71,7% dos gestores de escolas públicas

COMPARTILHE

Sete em cada dez gestores de escolas públicas relatam dificuldade para lidar com o enfrentamento às violências no ambiente escolar. O dado faz parte de pesquisa da Fundação Carlos Chagas, em parceria com o Ministério da Educação, divulgada nesta quarta-feira, 6 de maio. Segundo o levantamento, 71,7% dos gestores apontam dificuldades em temas como bullying, racismo e capacitismo.

A pesquisa ouviu 136 gestores de 105 escolas públicas, sendo 59 municipais e 46 estaduais. O estudo servirá de base para o novo Guia de Clima Escolar Positivo para Equipes Gestoras, iniciativa do governo federal prevista para lançamento nesta quinta-feira, 7.

O coordenador do estudo, Adriano Moro, da Fundação Carlos Chagas, afirmou que lidar com violência exige preparo, apoio e ações planejadas. Um dos problemas identificados é a naturalização de agressões no cotidiano escolar, quando episódios de violência são tratados como “brincadeiras” e deixam de receber intervenção adequada.

O levantamento também mostra outros entraves. Cerca de 67,9% dos gestores relatam desafios na aproximação entre escola, famílias e comunidade; 64,1% apontam dificuldade na construção de bons relacionamentos entre estudantes; 60,3% mencionam problemas para desenvolver sentimento de pertencimento; e 49% indicam desafios para promover segurança entre alunos.

Outro dado crítico é que 54,8% das escolas pesquisadas nunca realizaram diagnóstico estruturado do clima escolar. Para os pesquisadores, esse diagnóstico é etapa essencial para orientar políticas de convivência, prevenção de conflitos e aprendizagem.

A pesquisa ouviu escolas de dez estados, incluindo Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Minas Gerais, Pará, Pernambuco, Rio de Janeiro, Sergipe e São Paulo. A divulgação ocorre na mesma semana em que o governo federal recriou grupo de trabalho para subsidiar políticas de combate ao bullying e ao preconceito na educação.

A violência escolar não é apenas questão disciplinar. Ela afeta aprendizagem, permanência, saúde mental e confiança na instituição. A resposta, portanto, não pode depender apenas de punição posterior. É preciso diagnóstico, formação de equipes, escuta de estudantes, participação das famílias e protocolos claros para diferenciar bullying de racismo, capacitismo, xenofobia e violência de gênero.

COMPARTILHE