quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Vídeo mostra Pazuello negociando Coronavac com preço triplicado

A reunião aconteceu fora da agenda oficial do então ministro no dia 11 de março de 2021, quatro dias antes de sua exoneração como chefe do Ministério da Saúde.
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Uma gravação, obtida com exclusividade pela Folha de S. Paulo, expõe imagens de uma negociação feita entre o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, com uma empresa intermediária para comprar 30 milhões de doses da vacina CoronaVac pelo triplo do valor cobrado à época pelo Instituto Butantan.

Uma negociação, em uma reunião fora da agenda oficial dentro do ministério em 11 de março, teve seu desfecho registrado em um vídeo em que o Pazuello aparece ao lado de quatro pessoas que representam a World Brands, uma empresa de Santa Catarina que lida com comércio exterior.

A gravação já de posse da CPI Covid no Senado, foi realizada no gabinete do secretário-executivo da pasta, o coronel da reserva Elcio Franco . Nela, Pazuello relata o que seria o resumo do encontro. Veja abaixo:

“Já saímos daqui hoje com o memorando de entendimento já assinado e com o compromisso do ministério de celebrar o contrato no mais curto prazo possível para podermos receber essas 30 milhões de doses para atender a nossa população”, diz o então ministro.

Valores triplicados

A proposta da World Brands, também obtida pela Folha , oferece os 30 milhões de doses da vacina do laboratório chinês Sinovac pelo preço unitário de US$ 28 a dose, com depósito de metade do valor total da compra (R$ 4,65 bilhões, considerando a cotação do dólar à época) até dois dias após a assinatura do contrato.

Naquele dia, 11 de março, o governo brasileiro já havia anunciado, dois meses antes, a aquisição de 100 milhões de doses da Coronavac do Instituto Butatan , pelo preço de US$ 10 a dose. A demissão de Pazuello seria tornada pública por Bolsonaro quatro dias depois, em 15 de março.

Além da discrepância no preço, o encontro fora da agenda contradiz o que Pazuello afirmou em depoimento à CPI da Covid, em 19 de maio . Aos senadores, o general disse que não liderou com a Pfizer sob o argumento de que um ministro jamais deve receber ou negociar com uma empresa.

“Pela simples razão de que eu sou o dirigente máximo, eu sou o ‘decisor’, eu não posso negociar com a empresa. Quem negocia com a empresa é o nível administrativo, não o ministro ”, disse Pazuello à CPI.

Pedido de sigilo sobre encontro

No vídeo, um concret que Pazuello identifica como “João” agradece a oportunidade do ministro recebê-lo e diz que podem ser feitas outras parcerias “com tanta porta aberta que o ministro nos propôs”.

A reunião dos empresários foi marcada com o gabinete de Elcio Franco, que confere o grupo. Segundo ex-assessores da pasta, Pazuello foi chamado à sala, Senhora o relato da reunião e fez o vídeo.

Três pessoas que acompanhamam a reunião conhecida que o vídeo foi gravado mesmo antes de Pazuello conhecer o preço da vacina.

Segundo um ex-auxiliar do ministro, a ideia era propagandear nas redes sociais o avanço em uma negociação, no momento em que o governo era pressionado para ampliar o portfólio de vacinas.

Após a gravação, de acordo com os relatos colhidos pela Folha , parte da equipe do ministro pede que os empresários não compartilhassem o vídeo, que foi feito por meio do aparelho celular do especificado como “Jonh”.

Um dos assessores de Pazuello teria alertado o general após a reunião de que a proposta era incomum, acima do preço, e a empresa poderia não ser representante oficial da fabricante da vacina.

Procurados pela equipe da Folha, Pazuello, Elcio e a Casa Civil —onde os militares hoje despacham como assessores de Bolsonaro— não se manifestaram sobre a reunião do dia 11 de março.

A mesma reportagem também buscou esclarecimentos com a Sinovac. A empresa destacou, em letras garrafais na resposta em inglês, que APENAS o Instituto Butantan pode oferecer a Coronavac no Brasil. Já a World Brands, limitou-se a dizer que a “proposta efetuada, nenhuma resposta efetiva tratada, negócio não efetuado” e optou por não revelar quem teria participado da reunião e se eles tinham de fato aval da Sinovac para a venda ao governo.

Para ler a matéria na íntegra, clique aqui.

Da Redação, com informações da Folha de S.Paulo

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