terça-feira, 23 de julho de 2024

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SECA

Vazante afeta logística e traz impactos para o Amazonas

Relatório consolida a perspectiva de que a vazante deste ano na Amazônia será uma das mais fortes do século.
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Régua de medição do nível do rio Negro em Manaus

O mês de setembro era considerado chave pelos especialistas do Serviço Geológico Brasileiro (CPRM) para estimar com mais precisão o tamanho da vazante deste ano no Amazonas por conta das previsões de pouca precipitação de chuva no período.

Quase no fim do mês e, após a divulgação Boletim de Monitoramento Hidrometeorológico da Amazônia Ocidental, na última sexta-feira (22/09), a situação da vazante deste ano no Amazonas vai se desenhando mais do que preocupante para os agentes econômicos e o poder público.

Conforme este estudo do CPRM, três das seis bacias hidrográficas da região – Solimões, Negro e Purus – registram cotas d’água abaixo da “faixa de normalidade”; e duas – Amazonas e Madeira – estão no limite da faixa de normalidade.

O boletim mostra que apenas o rio Branco, em Roraima, apresentou descida dentro das cotas regulares para a época.

“Para ter um panorama geral de como será a estiagem no Estado é preciso acompanhar como os rios se comportarão em setembro”, dizia, no início do mês, a pesquisadora Jussara Cury, do CPRM.

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Para se ter uma ideia da força da vazante neste momento, o rio Negro, em Manaus, desceu 32 centímetros de ontem para hoje. No mesmo dia do ano passado ele desceu 23 centímetros

A preocupação dos especialistas é ainda maior porque os rios Amazonas e Madeira são, praticamente, os últimos da região a começar seus processos anuais de vazante, portanto estar no “limite da faixa de normalidade” pode ser um sinal momentâneo que vai se transformar muito em breve.

Impactos econômicos e sociais da vazante acendem alertas

Os rios Amazonas e Madeira são estratégicos para a economia amazonense e por eles passam, segundo o Anuário Estatístico da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), mais de 15 milhões de toneladas de cargas só pelo Amazonas, com destino a Porto Velho (via Madeira) e Belém (PA).

Deste total, o anuário registra que são 6,5 milhões de toneladas saindo de Manaus. A maior parte é de produtos da Zona Franca, onde é produzida parte considerável dos equipamentos eletrônicos consumidos no país.

Uma das empresa ligadas a Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (Abac), a Costa Brasil Logística, que faz transporte multimodal na região, informou nesta terça-feira (26) que está reforçando as operações no modal rodoviário como forma de contornar a estiagem e a baixa do nível dos rio.

Segundo o comunicado, a vazante afeta a capacidade de carga dos navios com chegada e saída de Manaus. Conforme o RealTime1 mostrou, nesta segunda-feira (25), navios transportam neste trecho, em condições normais três mil conteineres, mas estão operando com apenas 300 neste momento.

O diretor executivo da Costa Brasil, Márcio Salmi, afirma, em reportagem da agência Infra, que, com a previsão de estiagem mais severa para este ano, há possibilidade de não ocorrer o trânsito de navios por um período.

Segundo Márcio Salmi, a conversão de modal, do marítimo para o rodoviário, será adotada temporariamente para cargas como alimentos, bebidas, produtos de siderurgia, construção civil e outros. Mas não esclarece como isso será possível uma vez que a BR-319, a Manaus-Porto Velho está em péssimas condições de tráfego.

A vazante e o aquecimento dos oceanos

O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) acompanha o impacto da estiagem (falta de chuvas) na vazante e divulgou que um aquecimento não esperado das águas do Atlântico, na faixa equatorial, está piorando os efeitos do El Niño, que aquece as águas do Oceano Pacífico na mesma faixa.

O evento do Atlântico Tropical Norte está se somando ao El Niño. Dois eventos ao mesmo tempo são preocupantes. Tivemos isso entre 2009 e 2010, que foi a maior seca registrada na bacia do rio Negro nos últimos 120 anos”, explica o meteorologista do Inpa, Renato Senna.

Apesar de o reflexo dos dois fenômenos ocorrerem em regiões diferentes da Amazônia, o aquecimento das águas do oceano desencadeia um mecanismo de ação similar sobre a floresta. Com a água do oceano mais quente, as correntes ascendentes carregam ar aquecido para a atmosfera. Esse ar segue até a Amazônia por meio de duas correntes descendentes. No caso do El Niño, o processo ocorre de leste para oeste – a partir do Pacífico. No caso do Atlântico, do norte para o sul.

Esse ar mais quente atua inibindo a formação de nuvens e, por consequência, das chuvas”, afirma Senna.

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