A Vara do Meio Ambiente determinou que a Prefeitura de Manaus apresente, em até 30 dias úteis, um plano completo para a retirada dos flutuantes irregulares instalados no Igarapé do Tarumã-Açu, na Zona Oeste da capital.
A decisão exige um cronograma de execução, estudo financeiro detalhado e impõe multa de até R$ 500 mil em caso de descumprimento.
A medida busca conter a poluição e garantir o uso sustentável das águas da região, que enfrenta crescente degradação ambiental.
No entanto, a determinação reacende uma verdadeira novela que se arrasta desde 2023, marcada por disputas judiciais, ações interrompidas, promessas não cumpridas e a ausência de uma solução definitiva.
Diante de tantos impasses, cresce o número de vozes que defendem uma saída alternativa: em vez de simplesmente remover as estruturas, propõem uma organização severa e rigorosa, com base em critérios técnicos e ambientais, que permita a permanência das construções dentro dos limites legais.
Para muitos, a falta de ordenamento é o verdadeiro problema, e não necessariamente a presença dos flutuantes.
A Defensoria Pública do Estado tenta suspender a ordem judicial, argumentando que muitos flutuantes funcionam como moradia ou fonte de renda para famílias da região.
O impasse revela mais uma vez a falta de políticas públicas eficazes que conciliem habitação, atividade econômica e preservação ambiental.
Por outro lado, o Ministério Público do Amazonas (MPAM) reforça que os recursos para a remoção já deveriam estar previstos no orçamento municipal e cobra transparência no processo.
A prefeitura deverá apresentar relatórios regulares e comprovar o andamento dos trabalhos, sob pena de novas medidas judiciais.
Com cerca de 900 flutuantes espalhados pelo igarapé e nenhuma ação efetiva concluída após anos de debate, o caso do Tarumã-Açu se tornou símbolo de um problema maior: a dificuldade histórica do poder público em equilibrar crescimento urbano, justiça social e proteção ambiental.
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