terça-feira, 22 de setembro de 2026

Unicef alerta que 1,1 bilhão de crianças vivem sob riscos climáticos

COMPARTILHE

Quase metade das crianças e adolescentes do mundo, cerca de 1,1 bilhão de pessoas, está exposta a pelo menos três riscos climáticos que ameaçam saúde, educação e sobrevivência, segundo o Relatório de Risco Climático das Crianças 2026, divulgado pelo Unicef.

O estudo aponta que quase todas as crianças do planeta enfrentam pelo menos uma ameaça climática. Mais de 4 milhões podem estar expostas a até seis riscos diferentes. O levantamento mapeou oito ameaças: enchentes costeiras, secas, calor extremo, queimadas, ondas de calor, enchentes de rios, tempestades de areia e poeira e tempestades tropicais.

No Brasil, 16 milhões de crianças e adolescentes estão expostos a três ou mais riscos climáticos, como ondas de calor e secas. Quando o recorte considera dois ou mais riscos, o número passa de 30 milhões, ou seis em cada dez crianças e adolescentes brasileiros.

Segundo o Unicef, a combinação mais comum no mundo envolve seca, calor extremo e ondas de calor, afetando mais de 296 milhões de crianças e adolescentes. A segunda combinação mais frequente reúne seca, calor extremo e tempestades tropicais, atingindo mais de 115 milhões.

O alerta é especialmente grave para regiões vulneráveis, como a Amazônia, onde seca, queimadas, fumaça, enchentes e isolamento territorial atingem diretamente escolas, unidades de saúde, alimentação e deslocamento de famílias.

A crítica necessária é que crise climática deixou de ser tema futuro. Ela já reorganiza a infância no presente. Criança que perde aula por enchente, respira fumaça, enfrenta calor extremo ou fica sem água não está vivendo apenas um evento climático: está tendo direitos básicos interrompidos. Governos precisam tratar adaptação climática como política de infância, saúde e educação.

COMPARTILHE