quinta-feira, 25 de julho de 2024

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Unesco vê violações a direitos humanos em experimento da Samel

Repulsa da Unesco tem base na denúncia feita pela Conep à Procuradoria-Geral da República no mês passado pedindo apuração experimento da Samel.
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Unesco

A Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) apontou violação aos direitos humanos e uma das infrações éticas mais graves e sérias da história da América Latina no experimento conduzido pela Samel com a proxalutamida, que teria provocado a morte de 200 voluntários.

A declaração foi divulgada neste sábado (9) por meio da Rede Latino-americana e Caribenha de Bioética (Redbioética-Unesco) e se refere à denúncia feita pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) à Procuradoria-Geral da República no mês passado. A entidade é responsável por regular a participação de seres humanos em pesquisas científicas no Brasil.

Segundo o comunicado da rede de bioética da Unesco, a denúncia da Conep inclui graves violações dos padrões éticos de pesquisa nas diversas etapas do estudo com a proxalutamida.

“É ética e legalmente repreensível, conforme consta do ofício da Conep, que os pesquisadores ocultem e alterem indevidamente informações sobre os centros de pesquisa, participantes, número de voluntários e critérios de inclusão, pacientes falecidos, entre outros. Acreditamos que o maior interesse deve ser colocado no acompanhamento desta pesquisa, dando suporte ao sistema de revisão ética brasileiro e, principalmente, aos participantes da pesquisa brasileira, bem como aos familiares dos falecidos”, diz parte do comunicado.

No mês passado, a Comissão Nacional de Ética e Pesquisa (Conep), do Conselho Nacional de Saúde (CNS), enviou um ofício à Procuradoria Geral da República (PGR), pedindo que o experimento fosse investigado.

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O ensaio clínico foi realizado sob a liderança do endocrinologista Flávio Cadegiani e patrocinado pela Samel. O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) já defendeu o uso da substância no combate ao coronavírus, mas o medicamento não tem eficácia comprovada.

No relatório encaminhado à PGR, a Conep concluiu que os responsáveis pela pesquisa desrespeitaram quase todo o protocolo aprovado pela comissão em 27 de janeiro.

Samel se exime e diz que médico é quem deve responder questionamentos

Procurada, a Samel disse pela assessoria que já se pronunciou diversas vezes sobre o tema e que, portanto, “toda e qualquer solicitação quanto ao estudo da Proxalutamida deve ser solicitada diretamente à assessoria do Dr. Flávio Cadegiani, pesquisador responsável pelo estudo da Proxalutamida no Brasil”.

Instada sobre o pedido de investigação pela Conep, a Samel disse em setembro que o registro dos óbitos apontados são referentes à pesquisa realizada em todo o estado do Amazonas. Segundo a Samel, ela “só pode responder pelos pacientes que utilizaram o medicamento em suas unidades hospitalares”.

“Mais esclarecimentos sobre o uso da Proxalutamida nas demais cidades do país e em outros centros de saúde que não integram a rede Samel devem ser solicitados diretamente ao pesquisador responsável pelo estudo do medicamento no Brasil, que, inclusive, já se pronunciou em suas redes sociais sobre o assunto”, finaliza.

A proxalutamida consiste em um bloqueador de hormônios masculinos ainda em desenvolvimento pela farmacêutica chinesa Kintour. Antes de ser testada para Covid, a substância era estudada para tumores de mama e próstata.

A Samel é uma empresa que pertence ao grupo familiar do deputado estadual – e pré-candidato ao Governo do Amazonas em 2022 – Ricardo Nicolau (PSD).

Texto: Jefferson Ramos, com informações da Folha de SP

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