quarta-feira, 23 de setembro de 2026
POLÍTICA

Tempo de televisão ainda pesa nas campanhas e segue determinado pelo tamanho das bancadas

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horário eleitoral

O tempo de televisão continua sendo um dos ativos mais relevantes das campanhas eleitorais no Brasil, mesmo com o crescimento das redes sociais e das plataformas digitais. Nas eleições de 2026, o horário eleitoral gratuito seguirá o modelo previsto na Lei nº 9.504/1997, com blocos diários de propaganda exibidos no rádio e na televisão durante o primeiro turno da campanha. O espaço será dividido entre candidatos a presidente da República, governadores, senadores e deputados, com duração específica para cada cargo em disputa.

Na eleição presidencial, cada bloco de propaganda terá duração de 25 minutos e será exibido duas vezes por dia, totalizando 50 minutos diários de propaganda eleitoral. Para os governadores, o tempo será de 20 minutos por bloco, também transmitidos duas vezes ao dia, somando 40 minutos diários. A disputa ao Senado terá blocos menores, de cinco minutos cada, igualmente exibidos duas vezes ao dia. Já os candidatos a deputado federal e deputado estadual dividirão blocos de 12 minutos e 30 segundos, também transmitidos em dois horários diários.

O horário eleitoral do primeiro turno costuma durar cerca de cinco semanas e vai ao ar três vezes por semana — às terças, quintas e sábados. Ao longo desse período são exibidos aproximadamente 30 programas para cada cargo em disputa. Considerando esse número de programas, o tempo total disponível para a eleição presidencial alcança cerca de 12 horas e 30 minutos de propaganda televisiva durante toda a campanha. Para governadores, o volume acumulado chega a aproximadamente 10 horas. No caso das eleições ao Senado, o tempo total de exposição é de cerca de duas horas e meia.

Esse tempo, entretanto, não pertence a um único candidato. Ele é dividido entre partidos e federações partidárias de acordo com o tamanho de suas bancadas na Câmara dos Deputados. Pela legislação eleitoral, 90% do tempo é distribuído proporcionalmente ao número de deputados federais eleitos por cada legenda, enquanto os 10% restantes são repartidos de forma igualitária entre todos os partidos ou federações que apresentem candidato ao cargo.

Na prática, isso significa que partidos com maior representação parlamentar concentram a maior parte do espaço televisivo, enquanto legendas menores acabam recebendo participações bastante reduzidas. Por essa razão, a composição da Câmara dos Deputados exerce influência direta sobre a visibilidade eleitoral dos candidatos majoritários. A negociação de alianças partidárias nas eleições nacionais costuma considerar justamente o impacto do tempo de televisão que cada legenda pode agregar à campanha.

Mesmo em um cenário de forte presença das redes sociais, o horário eleitoral gratuito continua sendo um instrumento importante de comunicação política. Em campanhas nacionais, a televisão ainda é um dos meios mais eficazes para alcançar milhões de eleitores simultaneamente, especialmente em regiões onde os meios tradicionais de comunicação permanecem como principal fonte de informação política.

Distribuição do horário eleitoral limita visibilidade de candidatos ao Legislativo

Apesar do grande volume de tempo reservado à propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão, a distribuição desse espaço entre os candidatos revela uma forte concentração nas campanhas majoritárias. Nas eleições brasileiras, a maior parte da exposição televisiva beneficia candidatos a presidente da República e a governador, enquanto os candidatos ao Legislativo acabam tendo participação muito limitada no horário eleitoral.

Durante o primeiro turno, o conjunto de programas destinados aos candidatos a deputado federal e deputado estadual soma cerca de seis horas e quinze minutos ao longo de toda a campanha. Esse tempo, no entanto, é compartilhado entre milhares de candidatos que disputam vagas na Câmara dos Deputados e nas assembleias legislativas estaduais. Como resultado, a maioria dos postulantes acaba não aparecendo individualmente nos blocos principais de propaganda.

Nas eleições recentes, o número de candidatos a deputado federal no país superou dez mil, enquanto as candidaturas a deputado estadual ultrapassaram dezoito mil. Somados, esses candidatos disputam o mesmo espaço televisivo reservado ao Legislativo. Caso o tempo fosse dividido de forma igualitária entre todos os concorrentes, cada candidato teria menos de um segundo de exposição ao longo de toda a campanha, o que torna inviável a apresentação individual de todas as candidaturas no horário eleitoral.

Diante dessa limitação, os partidos adotam estratégias internas para distribuir o tempo de propaganda. Em muitos casos, apenas candidatos considerados prioritários — geralmente aqueles com maior potencial eleitoral ou maior projeção pública — aparecem nos blocos principais. Outros candidatos acabam representados apenas por participações coletivas, menções rápidas ou inserções dentro de programas partidários.

Além dos blocos fixos de propaganda, as campanhas contam também com as chamadas inserções, que são peças curtas exibidas durante a programação normal das emissoras de rádio e televisão. Essas inserções, geralmente de 30 ou 60 segundos, são distribuídas ao longo do dia e permitem maior flexibilidade para a divulgação de candidatos, sendo consideradas por muitas campanhas mais eficientes para a promoção de candidaturas ao Legislativo.

O modelo brasileiro de propaganda eleitoral foi concebido para garantir acesso gratuito aos meios de comunicação e reduzir a influência direta do poder econômico nas campanhas. No entanto, o critério de distribuição do tempo, baseado no tamanho das bancadas na Câmara dos Deputados, acaba reforçando o peso político das grandes legendas e das disputas majoritárias. Assim, embora milhares de candidatos participem das eleições legislativas, apenas uma parcela reduzida consegue visibilidade significativa no horário eleitoral.

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