Um estudo da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), divulgado neste sábado (20), mostra um aumento significativo no número de passageiros nas localidades onde foi implementada a tarifa zero no transporte coletivo público.
No total, segundo a pesquisa, há 106 municípios no país que reúnem mais de 5 milhões de habitantes em que não há nenhuma cobrança no transporte urbano de ônibus, a tarifa zero universal. Com mais passageiros no transporte público, menor será o uso de transporte individual em carros ou motos.
O diretor jurídico do Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram), Fernando Borges, disse que a entidade não tem qualquer plano para adoção deste tipo de tarifa zero, que é bancada com recursos públicos, mas que o sistema de Manaus registra esse aumento em todas as eleições, quando o transporte de eleitores é gratuito.
“O resultado (tarifa zero em dias de eleição) foi um aumento substancial da demanda, num patamar superior ao dos dias utéis. Logo, a tarifa zero ao usuário aumentaria substancialmente os custos sem dúvidas“, analisou Fernando Borges.
Conforme o especialista, o custo mensal do sistema de transporte de Manaus está na casa dos R$ 70 milhões, que na eventual adoção da tarifa zero seria coberto pelo Poder Público. A esse custo deveria ser acrescido a remuneração do capital das empresas concessionárias do sistema e o custo de renovação da frota.
Estudo sinaliza para crescimento significativo
O levantamento comparou a quantidade de passageiros antes e depois da adoção do passe livre em 12 cidades. Em todos os municípios pesquisados houve elevação significativa na demanda por viagens de ônibus, que variou de 33% a 371%.
Entre as cidades pesquisadas estão Caucaia (CE), que adotou a tarifa zero em 2021, e 2 anos depois viu o número de passageiros subir 371%, de 510 mil mensais para 2,4 milhões mensais. Luziânia (GO) teve elevação de 202% no número de passageiros em um período de 2 meses, de 4,3 mil por dia, em outubro de 2023, quando adotou o passe livre, para 13 mil por dia, em dezembro de 2023.
Maricá (RJ) teve aumento de 144% após três anos da adoção da tarifa zero; Ibirité (MG), de 106%, após três meses; São Caetano do Sul (SP), de 218%, após quatro meses; Paranaguá (PR), de 146%, após um ano; Balneário Camboriú (SC), de 43%, após seis meses; Itapeva (SP), de 267%, após um ano e meio; Cianorte (PR), de 99%, após um ano; Lins (SP), de 150%, após um mês; Mariana (MG), de 145%, após dois anos; e Santa Isabel (SP), de 33%, após um ano e meio.
“O aumento da demanda indica o potencial de uso do transporte público pela população. A tarifa zero promove uma maior mobilidade e acessibilidade, facilitando deslocamentos para as atividades essenciais no ambiente urbano, em diferentes horários do dia, não só em horário de pico”, avalia o diretor executivo da NTU, Francisco Christovam.
“Esse aumento da demanda precisa ser considerado pela prefeitura que planeja adotar a tarifa zero. Não basta ter recursos para cobrir o custo atual, é preciso avaliar a necessidade de aumento da frota e definir fontes permanentes de recursos, para que a tarifa zero tenha sustentação”, acrescentou Christovam.
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