As usinas hidrelétricas de Balbina e Pitinga, construídas há mais de três décadas no município de Presidente Figueiredo (AM), transformaram o ecossistema do rio Uatumã, resultando no desaparecimento de espécies de peixes endêmicos.
Uma pesquisa do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em parceria com universidades do Amazonas e do Pará, revelou que nenhuma das sete espécies antes registradas no rio foi encontrada nos últimos levantamentos.
Entre as espécies ausentes está o Badi (Mylesinus schomburgkii), um tipo de pacu que era abundante nas cachoeiras do Uatumã nos anos 1980 e amplamente consumido por comunidades locais.
A transformação de áreas de correnteza em lagos impactou não apenas a biodiversidade, mas também a qualidade da água, afetando diretamente os moradores da região.
Durante a primeira fase da pesquisa, em 2023, 945 exemplares foram coletados no Uatumã, mas nenhuma das espécies endêmicas foi identificada. Na segunda fase, em 2024, uma expedição ao rio Abacate também não localizou os peixes-alvo, mas buscas no rio Jatapu trouxeram esperança.
Este afluente, que apresenta características semelhantes ao Uatumã antes das barragens, revelou espécies ameaçadas, como o sarapó (Apteronotus lindalvae) e o bodó (Harttia uatumensis), além de 10 a 15 espécies possivelmente novas.
“Encontrar essas espécies em novas localidades é fundamental para criar planos de ação para conservação das mesmas”, afirma Lúcia Rapp Py-Daniel, pesquisadora do Inpa.
A expectativa é ampliar os estudos e fornecer subsídios para planos de conservação junto ao Ibama e ao ICMBio.
Os pesquisadores destacam que os resultados são essenciais para evitar a extinção de peixes reofílicos e preservar a biodiversidade da bacia do Uatumã.
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